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Foto: Sindsaúde-MA

Enfermagem brasileira se une pela aprovação do piso salarial da categoria

Enfermagem

Em atos pelo país, profissionais exigiram a aprovação do PL 2564/2020, que institui o piso salarial nacional e estabelece carga horária de 30 horas semanais para a categoria. CNTS e Federações Filiadas fizeram grande cobertura das mobilizações através do Programa Enfermagem em Pauta, com uma programação de cinco horas nas redes sociais.

Enfermeiros, técnicos, auxiliares de enfermagem, estudantes, dirigentes e apoiadores foram às ruas do país nesta quarta-feira, 30, Dia de Luta Pela Valorização da Enfermagem, para exigir a aprovação do PL 2564/2020, que institui o piso salarial nacional e estabelece carga horária de 30 horas semanais para a categoria.

Os atos ocorreram em 17 estados e no Distrito Federal, onde os profissionais, respeitando todos os protocolos de segurança à Covid-19, fizeram mobilizações nas unidades de saúde, paralisações, carreatas, passeatas e, em alguns estados, houve paralisação geral de 24 horas. Além dos atos presenciais, houve também mobilizações pelas redes sociais. A CNTS e as Federações Filiadas fizeram uma grande cobertura do ato com uma programação de cinco horas nas suas redes sociais. No Programa Enfermagem em Pauta – Valorizar é Cuidar de Quem Cuida, que aconteceu das 10h às 16h, profissionais da enfermagem, dirigentes sindicais, políticos, pesquisadores, estudantes e trabalhadores em geral demostraram seu apoio ao projeto de autoria do senador Fabiano Contarato (Rede/ES). Para ver o programa na íntegra, clique aqui.

“A enfermagem não aguenta mais tanto descaso, tanta injustiça. Somos obrigados a trabalhar 44 horas semanais, sem proteção e segurança, para ganhar, em muitas regiões do país, apenas um salário mínimo. Chega de exploração! Todo este esgotamento da categoria foi visto nos atos pelo país. Esta foi uma forma da enfermagem pedir socorro, proteção e dignidade. Precisamos muito mais do que aplausos. Queremos ver o reconhecimento traduzido em números, isso significa a aprovação do PL 2564”, cobrou o presidente da CNTS, Valdirlei Castagna.

Para a presidente da Federação Nacional dos Enfermeiros – FNE, Shirley Marshal Morales, a aprovação do projeto do piso salarial é uma reparação histórica. “Estes trabalhadores lutam por uma jornada de trabalho desde 1955. E pelo piso salarial, desde 2009 no Congresso Nacional. Agora, nós temos um projeto que engloba estas duas reivindicações históricas da categoria. Se querem nos aplaudir e homenagear, nós aceitamos. Mas precisamos mais do que isso. Estes profissionais precisam sustentar suas famílias, precisam cuidar da própria saúde. Precisamos de um salário digno, da regulamentação da jornada de 30 horas e de respeito”.

Excesso de trabalho e baixos salários – Os profissionais de enfermagem formam a segunda maior categoria profissional do Brasil, com aproximadamente 2 milhões de trabalhadores, perdendo apenas para os metalúrgicos. Porém, ser a segunda maior categoria do Brasil, atrás apenas de metalurgia, não representa valorização e direitos. A categoria sofre com desgaste, doenças, estresse, má remuneração e jornada trilha de trabalho.

A vice-presidente da CNTS, Lucimary Santos Pinto, reforça este dado lembrando da precariedade das condições de trabalho destes profissionais. “A forma de contratação ou de vinculação destes trabalhadores ao seu empregador, seja ele público ou privado, também é extremamente precária. Temos situações de grande número de trabalhadores ainda no regime de terceirização, de contratações precárias, que chamamos de contrato nulo. Ou seja, estes trabalhadores estão vinculados de forma extremamente precária, em grande parte pelo ente público, como prefeituras, estados e a própria União. Onde estes profissionais não têm um salário digno, não têm uma jornada adequada, não recebem o adicional de insalubridade, embora, este profissional esteja laborando em um ambiente extremamente insalubre”.

Na linha de frente do atendimento, os profissionais de enfermagem enfrentam também violência física, verbal e psicológica. Apenas 29% dos profissionais se sentem seguros em seus ambientes de trabalho, segundo dados da Pesquisa Perfil da Enfermagem no Brasil do Cofen e da Fiocruz. A pesquisa revela que 19,7% já sofreram violência no ambiente de trabalho, sendo: 66,5% violência psicológica, 26,3% verbal e 15,6% violência física.

Além disso, nesta pandemia, a enfermagem foi uma das categorias mais afetadas no país, já que um terço dos profissionais mortos pela Covid-19 é do Brasil.

Por todos estes motivos, a CNTS reivindica a aprovação do PL 2564/2020, pois este projeto visa corrigir uma desvalorização de décadas de milhões de profissionais que dedicam suas vidas para cuidar do próximo. É hora de valorizar a categoria. A enfermagem merece ser tratada com respeito! PL 2564 JÁ!

Foto: Sindsaúde Ceará

Foto: Sindsaúde Bahia

Foto: Fetessesc

Foto: Sindsaúde Ceará

Foto: Sindsaúde-MA

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