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Foto: Marcos Corrêa/PR

Após ataque gratuito de Guedes, embaixador lembra que China fornece 95% das vacinas do Brasil

Política

Após o ministro da Economia afirmar que o coronavírus foi criado pela nação asiática e seus imunizastes são menos eficazes, o embaixador da China no Brasil, Yang Wangming, lembrou que 95% dos insumos para a vacina brasileira vêm da China e que 84% das vacinas aplicadas no Brasil são Coronavac. Mais uma vez, membros do governo Bolsonaro atacam de forma gratuita o maior parceiro comercial do Brasil.

A pandemia mostrou na prática para a população o resultado da antidiplomacia praticada pelo governo Bolsonaro. Depois de dois anos de agressões à China, o Brasil descobriu que dependia do país para a importação de insumos essenciais à fabricação das duas vacinas aprovadas pela Anvisa, a Coronavac e a AstraZeneca. Os ataques gratuitos feitos, principalmente, pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro, pelo ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub, e pelo ex-chanceler Ernesto Araújo afetaram a relação entre os país, o que travou a importação de insumos para a produção de vacinas no começo do ano. O amadorismo parecia ter chegado ao fim. Ledo engano. Nesta terça-feira, o ministro da Economia, Paulo Guedes, também quis contribuir dar sua contribuição.

Durante reunião do Conselho de Saúde Suplementar, Guedes disse que “o chinês inventou o vírus” e que a vacina da potência asiática seria menos eficiente do que os imunizantes americanos. “E a vacina dele é menos efetiva do que a americana. O americano tem 100 anos de investimento em pesquisa. Então, os caras falam: ‘Qual é o vírus? É esse? Está bom, decodifica’. Está aqui a vacina da Pfizer. É melhor do que as outras”, afirmou.

A vacina da Pfizer não é uma criação da companhia americana. Foi desenvolvida pelo laboratório BioNTech, empresa alemã fundada por cientistas de origem turca. Desejando afagar os Estados Unidos, Guedes enalteceu o país errado e deu uma joelhada na China.

O ataque gratuito teve repercussão. O embaixador da China no Brasil, Yang Wangming, lembrou publicamente aos brasileiros que, até o momento, a China é o principal fornecedor das vacinas e insumos ao Brasil. “Os insumos respondem por 95% do total recebido pelo Brasil e são suficientes para cobrir 60% dos grupos prioritários na fase emergencial. A Coronavac representa 84% das vacinas aplicadas no Brasil”, escreveu em sua rede social.

A fala de Guedes irritou também o presidente da Frente Parlamentar Brasil-China, deputado Fausto Pinato (PP-SP). O parlamentar avalia que o discurso de Guedes dificulta a relação com o maior parceiro comercial do Brasil e ameaça a importação de insumos para vacinas contra a Covid-19. “Guedes vestiu a fantasia do Bolsonaro e rasga sua biografia para se manter no cargo”, disse Pinato ao Congresso em Foco. “É uma catástrofe. Viramos um hospício”, acrescentou o líder da frente formada por cerca de 270 deputados e senadores.

Na avaliação dele, o Brasil tem humilhado a China desde o início do governo Bolsonaro, comportamento que, segundo ele, prejudicará o agronegócio brasileiro nos próximos dois anos. “O Ernesto Araújo era um retardado. O pior vírus que existe não é a Covid, mas a loucura deste governo irresponsável. Os jornais da China vão destacar essa declaração. É prejuízo para troca de tecnologia. Guedes joga o Brasil para o final da fila”, criticou. Em nota, o parlamentar disse que em um “país sério”, o chefe da Economia seria demitido em razão do seu ataque ao principal parceiro econômico do país.

Fausto Pinato entende que o ministro, ao provocar a China, tenta criar uma cortina de fumaça para abafar as investigações da CPI da Covid e mascarar seu fracasso à frente da equipe econômica. “É a estratégia de criar polêmica desnecessária e de aumentar a irresponsabilidade com o país”, afirmou.

Após duras críticas, Guedes, em coletiva, tentou consertar, dizendo que usou uma “imagem infeliz” atacando a China para elogiar o setor privado. E que até já tomou a CoronaVac, a vacina de origem chinesa.

Brasileiro quer viver demais – O ministro da Economia estava inspirando na reunião do Conselho de Saúde Suplementar, que reúne operadoras de planos e seguros privados de assistência à saúde. Após reclamar que pobre não poupa, agora, reclama que brasileiro quer viver demais. Guedes disse que o “Estado quebrou” e que não tem recursos para atender a demanda crescente por atendimento na área da saúde pública. “Mas o problema, não é a pandemia, o problema é que todo mundo quer viver 100, 120, 130 anos”, disse ele, revelando insatisfação com essa aspiração humana.

No entanto, Guedes apresentou uma solução para essa demanda. “Você é pobre, você tá doente, tá aqui seu ‘voucher’. Vai no [hospital Albert] Einstein, se você quiser. Vai aonde você quiser, tá aqui o ‘voucher’. Se quiser, você vai no SUS”, disse Guedes.

Qual seria o valor deste ‘voucher’? Lembrando que no ano passado, o ministro propôs o ‘voucher’ do auxílio emergencial de R$ 200. Por conta da pressão do Congresso Nacional, o valor subiu para R$ 600.

Como bem afirma o jornalista Reinado Azevedo, o sonho de Guedes, pelo visto, é pôr fim ao sistema e garantir Einstein para todos. “Imaginar que se possa enfraquecer a estrutura do SUS – e há menos de dois meses Guedes tentava avançar sobre o mínimo constitucional reservado à Saúde – e substituí-la por um sistema de “voucher” a ser usado no setor privado é delírio de liberaloide à moda antiga, do tipo que ainda demoniza o Estado. Não está interessado na eficiência do serviço, mas no seu desmonte”, afirmou.

Fonte: Com UOL, Veja, Congresso em Foco, Isto É e PCdoB

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