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Foto: Daniel Basil/Portal da Copa

Nossos mortos lotam o Maracanã

Coronavírus

Brasil supera 80 mil vítimas por coronavírus. O número é simbólico, pois ultrapassa a capacidade máxima do Maracanã, um dos estádios mais importantes do futebol mundial.

Infelizmente, a “gripezinha” alcançou um novo marco no Brasil na segunda-feira, 20. O total de mortes causadas pela Covid-19 é de 80.120, ultrapassando a capacidade máxima do estádio mais emblemático do futebol, o Maracanã, que é de 78.838. O número de óbitos contradiz de forma veemente a previsão do presidente Jair Bolsonaro, realizada há quatro meses, de que o país registraria menos de 800 mortes motivadas pela Covid-19.

Mas não são 800. São 80 mil vidas perdidas graças política genocida do presidente da República, seguida por muitos governadores e prefeitos, que desfez e desfaz da pandemia.

Este número já deveria por si só chocar qualquer um. Mas os dados não parecem impactar mais. Infelizmente. Já que o novo normal do brasileiro é se acostumar com mais de mil mortes por dia e ir para o bar beber. Se a população perceber que o Brasil acaba de encher o maior estádio do país de cadáveres em quatro meses, talvez cheguemos perto da dimensão do absurdo que estamos presenciando.

Infelizmente, muitos irão minimizar a pandemia, alegando que pessoas morrem todo ano. E por vários motivos. Porém, a Covid-19 matou no Brasil, em quatro meses, mais do que AVC, violência e acidentes de trânsito, conforme dados do Sistema de Informação sobre Mortalidades do Ministério da Saúde.

Além das vítimas do vírus, o país assiste ao sacrifício desumano de milhares de profissionais de saúde que tentam fazer o que o governo não faz. Salvar vidas. Eles trabalham sem proteção, são submetidos a situações precárias e sem condições adequadas de trabalho, vivendo em situação de elevado estresse e com sobrecarga de trabalho em função da falta de profissionais.

Enquanto Jair Bolsonaro ergue uma caixa de cloroquina para delírio de seus seguidores aglomerados em frente ao Palácio da Alvorada, pessoas estão morrendo. E são na maioria trabalhadores abandonados à própria sorte e sem condições de se defender. Os números são inequívocos. Há um corte social evidente entre as vítimas. Aqui no Brasil, nos Estados Unidos e pelo mundo afora. Em que momento perdemos a humanidade de olhar para esses números e não entender que por trás deles há vidas, famílias e muitas histórias? O Brasil está perdendo o jogo mais importante do século. E de goleada.

Fonte: Com Folha de S.Paulo e Esporte Interativo

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