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Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

Lewandowski envia à PGR notícia-crime contra Bolsonaro por caso Flávio

Política

O motivo é suposta mobilização de órgãos como Abin, Gabinete de Segurança Institucional e a Receita Federal pelo presidente para encontrar prova que anulasse o "caso Queiroz". O presidente da República não comentou o assunto, porém, criou cortina de fumaça para desviar atenção ao filho 01.

Em ação protocolada pela deputada Natália Bonavides (PT-RN), o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal – STF, enviou à Procuradoria-Geral da República uma notícia-crime contra o governo de Jair Bolsonaro por suposto envolvimento na defesa do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho mais velho do presidente. As informações são de Guilherme Amado, colunista da Revista Época.

Na ação, a deputada cita possíveis crimes como tráfico de influência, advocacia administrativa e improbidade administrativa. Em agosto, vários órgãos da esfera federal tentaram encontrar elementos que anulassem as investigações que envolvem transações financeiras entre Fabrício Queiroz, ex-assessor e operador financeiro da família, e Flávio Bolsonaro, filho do presidente.

Convocados pelo presidente, o Gabinete de Segurança Institucional – GSI, a Agência Brasileira de Inteligência – Abin, a Receita Federal e a Serpro estiveram presentes, para encontrar alguma prova que apontasse irregularidades nos relatórios de movimentações atípicas produzidos pelo Coaf. O encontro aconteceu no Palácio do Planalto e contou com a presença e duas advogadas de Flávio, Luciana Pires e Juliana Bierrenbach, de acordo com a reportagem da revista Época.

O Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou em outubro Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz pelo esquema das rachadinhas. Na denúncia de cerca de 300 páginas, Flávio foi apontado como líder da organização criminosa e Queiroz como o operador do esquema de corrupção que funcionava no gabinete do senador. Ambos foram acusados pelos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Outras 15 pessoas também foram denunciadas.

Declarações do presidente – Bolsonaro não comentou publicamente o envio da notícia-crime pelo STF. Mas, criou cortina de fumaça para desviar atenção ao filho 01. O presidente da República começou o dia comemorando morte de brasileiro voluntário da CoronaVac, vacina produzida pela chinesa Sinovac com o Instituto Butantã.

Mais tarde, em evento no Palácio do Planalto, o presidente minimizou as mortes por Covid-19, afirmando que o Brasil “tem que deixar de ser um país de maricas”. A doença já matou mais de 162 mil pessoas. No mesmo evento, Jair Bolsonaro ameaçou recorrer às armas para proteger a Amazônia do presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden. “Quando acabar a saliva, tem que ter pólvora”.

A cortina de fumaça não adiantou, hoje, 11, o jornal O Globo revelou que as contas do senador Flávio Bolsonaro e da mulher dele, a dentista Fernanda Bolsonaro, receberam, entre abril de 2014 e agosto de 2018, R$ 295,5 mil em dinheiro vivo, por meio de 146 depósitos “sem origem conhecida”, para pagar parcelas de um apartamento na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio.

O Ministério Público do Rio apontou a informação na denúncia, oferecida ao Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio. O documento reúne o resultado da investigação sobre o esquema de “rachadinhas” no gabinete do filho do presidente Jair Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio.

Os depósitos em questão foram identificados na quebra de sigilo bancário do senador e da mulher dele e, segundo a denúncia, “não encontram lastro em valores sacados nas contas do casal” e, portanto, “não provêm de suas fontes lícitas de renda, mas sim dos valores desviados da Alerj pelos ‘assessores fantasmas’, por intermédio de operadores financeiros”. Entre eles, o MP cita Queiroz, que integrou a equipe de Flávio, entre 2007 e 2018, enquanto ele exercia o mandato de deputado estadual pelo Rio.

De acordo com o MP, o imóvel, com valor declarado na compra de R$ 2,55 milhões, foi quitado por meio de cheques, transferências e um financiamento bancário. A conta de Fernanda foi utilizada para pagar um sinal de R$ 50 mil, antes da compra do apartamento, e a de Flávio para abater, posteriormente, as parcelas de um crédito imobiliário de cerca de R$ 1 milhão. Ambas as contas, segundo o MP, foram irrigadas com valores de procedência desconhecida, depositados em dinheiro vivo e de forma fracionada.

Fonte: Com Revista Exame e O Globo

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