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Foto: Alex Pazuello/Semcom-AM

Coronavírus mata mais de uma pessoa por minuto no Brasil

Coronavírus

Com 1.473 mortes registradas em 24 horas, país passa Itália e supera 34 mil óbitos. Enquanto isso, o presidente da República atrasa divulgação dos dados e quer liberar praias.

Exatos cem dias apos ter sido diagnosticada pela primeira vez no Brasil, a doença primeiro chamada de “gripezinha” já mata mais de um brasileiro a cada minuto no país. Com um salto de 1.473 óbitos por Covid-19 registrados no país nas últimas 24 horas, o Brasil cruzou a marca de 34 mil mortes em decorrência do novo coronavírus e superou a Itália, país que simbolizou primeiro a tragédia da pandemia, tornando-se na quinta-feira, 4,  o terceiro no ranking de óbitos resultantes da doença no mundo.

Neste momento, apenas os Estados Unidos, com 107 mil mortes, e o Reino Unido, com quase 40 mil, estão à frente.

Foram 30.925 novos casos de coronavírus registrados apenas nas últimas 24 horas, informou o Ministério da Saúde com um atraso de mais de três horas em relação ao horário programado. Ao todo, são 34.021 mortes e 614.941 casos confirmados no país até agora, com outras 4.159 mortes em investigação. Com relação ao atraso na divulgação dos dados, a estratégia da Presidência é evitar que os dados estejam disponíveis no horário dos telejornais noturnos, período em que as televisões têm maior audiência, pois muitos dos brasileiros estão em casa.

O numero pode ser maior, sobretudo nos casos, já que o país é um dos que tem os menores índices de testagem do mundo, limitando os exames no sistema público a casos graves e profissionais da saúde e da segurança.

Esta quinta foi o segundo dia seguido com recorde no número de mortes. Na quarta-feira, 3, foram registradas 1.349 óbitos em um período de 24 horas.

Nas últimas semanas, o Brasil, que registrou seu primeiro diagnóstico em 25 de fevereiro e a primeira morte decorrente da doença em 16 de março, foi superando um a um os países que marcaram a emergência da crise, inclusive Espanha e França, e caminha para superar também o Reino Unido.

Diferentemente dos demais países com grande numero de casos, porém, o Brasil ainda não começou a achatar a curva de disseminação da doença. Ou seja, o pico de casos, quando eles chegam a seu auge para então começar a regredir, não foi atingido, indicando que a situação vai piorar nas próximas semanas.

Bolsonaro quer abrir as praias e os Estados estão afrouxando o isolamento – Esse salto ocorre em um momento em que governadores e prefeitos, pressionados pela queda abrupta na atividade econômica, começam a afrouxar restrições de isolamento social que vinham contendo parte do crescimento dos casos. Coincide também com a disseminação do discurso do presidente Jair Bolsonaro de que a paralisação da atividade econômica traria consequências mais graves do que a pandemia em si, apesar dos repetidos alertas de médicos e cientistas para os riscos.

Após recorde de mortes no país, Bolsonaro avisou que a Advocacia-Geral da União – AGU está emitindo parecer para liberar uso de praias no Brasil, cujo acesso está fechado por causa da pandemia de Covid-19. Segundo o presidente, quem for pego desobedecendo decretos estaduais e municipais por frequentar as praias poderá utilizar este documento para se defender.

“Se você for multado nos próximos dias por ir para a praia, você já sabe que poderá alegar que o governo federal deu parecer favorável, mas aí vai depender do juiz”, disse o presidente.

E ainda segue: “Eu não posso ditar uma política para que estados e municípios ataquem melhor essa questão do vírus. Isso é de responsabilidade exclusiva de governadores e prefeitos. E tem certos governadores aí que pelo amor de Deus…, ainda correndo atrás de gente na praia. Eu acho que estava previsto sair hoje da AGU parecer favorável a que se use a praia”, afirmou.

Na capital do Rio de Janeiro, por exemplo, está proibida qualquer atividade na faixa de areia das praias. Sendo assim, é proibido o banho de Sol, esportes e o comércio ambulante nas areias.

Nas praias do estado de São Paulo, também estão proibidas atividades nas faixas de areia, porém, o que se tem percebido é o desrespeito a essas medidas.

O presidente Bolsonaro incentiva a desobediência as medidas de isolamento social, no momento em que o país registra mais de 600 mil casos de Covid-19 e mais de 34 mil óbitos.

Fonte: Com Folha de São Paulo e Congresso em Foco

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