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Foto: Altemar Alcantara/Semcom-AM

Brasil volta a registrar mais de mil mortes por dia por Covid-19

Pandemia

Marca não era superada desde o dia 30 de setembro. Foram 1.092 novas mortes e 69.826 novos casos confirmados em 24 horas. Mesmo com o aumento dos casos, o país desativou um terço dos leitos de UTI criados no SUS exclusivamente para tratar a Covid-19. Em julho, havia 10.228 leitos, mas desde então foram fechadas 3.287 unidades.

Pela primeira vez desde setembro, o Brasil ultrapassou a marca de mil mortes por Covid-19 notificadas em 24 horas. Na quinta-feira, 17, foram registrados 1.092 óbitos, segundo dados divulgados pelo Conselho Nacional de Secretários da Saúde – Conass e pelo Ministério da Saúde. A última vez que o número diário de mortos no país havia ficado acima da marca de 1 mil foi em 30 de setembro, quando 1.031 pessoas morreram.

Foram notificados 69.826 novos casos de Covid-19, elevando para 7.111.527 o total de infectados. A média móvel de casos foi 46.855, a maior desde o início da pandemia no país. O Brasil totaliza 184.876 vidas perdidas para o novo coronavírus. Em números absolutos, o Brasil é o terceiro país do mundo com mais infecções, atrás apenas dos Estados Unidos, que somam mais de 16,9 milhões de casos, e da Índia, com 9,9 milhões. Mas é o segundo em número absoluto de mortos, já que mais de 307 mil pessoas morreram nos Estados Unidos.

O avanço de infectados, de internações e óbitos pelo novo coronavírus ocorre no momento em que se multiplicam as cenas de ruas, lojas e praias lotadas e só 1/3 da população mantém o isolamento social. Especialistas esperam ainda uma ‘explosão’ de casos após as festas de fim de ano.

A alta tem sido puxada por regiões do Sul, como Paraná e Santa Catarina, e do Sudeste, como o Rio, onde gestores veem os hospitais com UTIs perto do limite. A tendência crescente de vítimas vai na contramão do discurso do presidente Jair Bolsonaro, que chegou a citar semana passada que estávamos no “finalzinho” da pandemia.

Já os indicadores de isolamento são verificados diariamente pelo Monitor Estadão/Inloco. Desde o início da pandemia, a maior taxa média de isolamento foi registrada em 22 de março, quando foram adotadas as medidas mais rígidas por governadores e prefeitos: 62,2% dos brasileiros estavam recolhidos em suas casas. Nove meses depois, são 35,8% – metade dos 70% apontados por especialistas como necessários para frear a transmissão do vírus.

Gripe – O grupo Infogripe, da Fiocruz, monitora casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave – SRAG no país. De todos os casos de SRAG registrados este ano, 97,8% foram Covid. Há tendência de alta de SRAG em ao menos uma macrorregião de Saúde de 21 Estados, diz Marcelo Gomes, coordenador do Infogripe.

De acordo com o boletim do Infogripe, todas as regiões do País encontram-se em zona de risco e com ocorrências de casos muito alta. Em capitais como Recife e Porto Alegre, por exemplo, a subnotificação é um efeito já confirmado da demora dos registros hospitalares. “A gente já tem informações que elas estão com esses problemas. Essas, em particular, já podemos bater o martelo [de que há aumento nos casos]”.

“Precisamos justamente acompanhar os registros das próximas semanas, para vermos se haverá inserção dos dados antigos e reavaliar as anteriores. Até para não corrermos o risco de baixar a guarda, porque isso pode não ser uma interrupção na cadeia de transmissão”, afirma Gomes.

SUS perde 1 a cada 3 leitos de UTI – Neste semestre, o Brasil desativou um terço dos leitos de UTI criados no SUS exclusivamente para tratar a Covid-19. Em julho, quando houve o pico de mortes e casos, havia 10.228 leitos para o novo coronavírus na rede pública. Atualmente, quando o contágio volta a aumentar, são 6.941 — queda de 32% (ou 3.287 leitos a menos). Quem mais perdeu foram as regiões Norte e Nordeste, além do Estado do Rio de Janeiro.

Os dados são do Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde – CNES, do Ministério da Saúde, e foram compilados pela Repórter Brasil na segunda-feira, 14 – foram consideradas apenas as unidades para pacientes adultos. Os números mostram que, embora o país enfrente nova alta de casos e mortes por Covid-19, as condições do sistema público para atender pacientes graves são piores agora do que há cinco meses.

O segundo Estado que mais perdeu UTIs de Covid foi o Rio de Janeiro, onde foram fechadas 82% das vagas. Dos 739 leitos habilitados em julho, estão em operação apenas 130, segundo o Ministério da Saúde. As 609 vagas fechadas seriam suficientes para cobrir os 259 pacientes com Covid que, segundo a Secretaria de Saúde do Rio, esperam por tratamento avançado no Estado.

Para se ter uma ideia, o vizinho Espírito Santo, com população quatro vezes menor que o Rio de Janeiro, tem hoje mais que o dobro de UTIs dedicadas à covid-19: 281 leitos.

A situação vivida pelo Rio de Janeiro é um símbolo de como os recursos financeiros da pandemia não foram bem aproveitados para melhorar a estrutura do SUS, segundo especialistas ouvidos pela Repórter Brasil. Um dos erros foi priorizar a construção de hospitais de campanha e deixar em segundo plano a ampliação das unidades de saúde permanentes.

O Estado do Rio só não perdeu mais leitos do que o Pará, onde 86% das UTIs para Covid-19 foram fechadas desde julho: passou de 290 para 40. Alagoas, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e Paraíba também fecharam mais de 50% das vagas de UTI para Covid.

A redução de leitos no país vem ocorrendo sistematicamente desde julho, mas se acentuou a partir de outubro, justamente quando o número de casos voltou a subir. A tendência geral de cortes se inverteu apenas este mês, após o Ministério da Saúde publicar portaria autorizando a abertura de novas vagas de UTI exclusivas à Covid – sinal de que não estamos no “finalzinho” da pandemia, como tinha afirmado o presidente da República, Jair Bolsonaro. Nos últimos seis dias, 1.954 novos leitos foram reabertos, segundo o cadastro do Ministério da Saúde.

Fonte: Com Estadão, Repórter Brasil e Deutsche Welle Brasil

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