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Foto: LQFEx/Ministério da Defesa

Remdesivir e hidroxicloroquina não têm efeito contra Covid, diz OMS

Saúde e Ciência

Dados do ensaio Solidarity, o maior estudo feito até agora com quatro drogas em 32 países, confirmam que esses tratamentos não reduzem a mortalidade em pacientes hospitalizados.

Uma pesquisa liderada pela Organização Mundial da Saúde – OMS constatou que quatro antivirais usados no tratamento da Covid-19 são ineficazes no tratamento do coronavírus. Entre eles, estão a hidroxicloroquina, até hoje defendida presidente Jair Bolsonaro, e o remdesivir, primeiro remédio aprovado para tratamento da doença nos Estados Unidos.

Os resultados são do estudo “Solidarity”, da OMS, que avaliou os efeitos de quatro tratamentos com medicações que incluíam o remdesivir, a hidroxicloroquina, e a combinação dos medicamentos lopinavir/ritonavir e interferon – utilizada para o tratamento do HIV, em 11.266 pacientes adultos, em 405 hospitais de 32 países.

O estudo, feito em apenas seis meses, concluiu que os protocolos pareciam ter pouco ou nenhum efeito na redução de mortalidade em 28 dias ou na duração do tratamento hospitalar entre pacientes internados com a Covid-19, disse a OMS na quinta-feira, 15.

“Nenhuma das drogas estudadas reduziu a mortalidade em nenhum subgrupo de pacientes nem teve efeitos na iniciação da respiração artificial ou duração da internação hospitalar”, afirma o estudo sobre o ensaio, que foi publicado na internet e está sendo revisto por especialistas para ser incluído em uma publicação médica especializada, segundo a OMS.

O remdesivir, um dos primeiros a ser utilizado como tratamento para a covid-19, foi um dos remédios utilizados para tratar o presidente norte-americano, Donald Trump, após sua infecção pelo coronavírus.

A pesquisa se concentrou na análise dos efeitos desses medicamentos sobre a mortalidade, a necessidade de receber ventilação mecânica e o tempo de internação. A OMS indicou que falta determinar se os medicamentos são úteis no tratamento de pacientes infectados não hospitalizados ou, ainda, como prevenção, aspectos que deverão ser examinados em ensaios futuros.

Estes resultados são o último prego no caixão de tratamentos que foram alardeados por políticos apesar da ausência de provas da sua eficácia – caso especialmente da cloroquina e da sua derivada hidroxicloroquina. Estas drogas foram qualificadas como “revolucionárias” por líderes como Donald Trump nos primeiros momentos da pandemia. Outro partidário da tese do norte-americano, o presidente Jair Bolsonaro chegou a se tratar com hidroxicloroquina quando testou positivo para Covid-19, e não foram poucas as vezes em que recomendou o medicamento à população. O Ministério da Saúde, inclusive, lançou um protocolo que autoriza o Sistema Único de Saúde – SUS a oferecer estes remédios para casos leves da doença. O estudo demonstra, porém, que estas drogas não oferecem nenhum efeito positivo, e inclusive é possível que sejam contraproducentes para muitos doentes.

Com estes resultados, os únicos medicamentos que demonstraram eficácia contra a Covid-19 até agora são a dexametasona e outros corticoides, que reduzem a mortalidade dos pacientes em estado grave. A dexametasona, também foi recentemente administrada a Trump quando ele contraiu o coronavírus. No entanto, a dexametasona é um esteroide, recomendado apenas para pacientes em estado crítico, que precisam de suporte respiratório em hospitais. A OMS explica que os mais de 400 hospitais do ensaio Solidarity já estão provando a eficácia de novos antivirais, imunomoduladores e anticorpos monoclonais.

Fonte: Com El País, Estadão e Deutsche Welle Brasil

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