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Foto: Freepik

Relatório da OMS conclui que pandemia de Covid-19 teve origem animal

Saúde e Ciência

Equipe de peritos sugere que coronavírus passou de morcegos para humanos por meio de animal intermediário e considera improvável hipótese de vírus gerado em laboratório.

Especialistas da Organização Mundial da Saúde – OMS apontaram como a causa mais provável da origem da pandemia de Covid-19 a transmissão do vírus Sars-CoV-2 de um animal para humanos, conclui um relatório oficial da Agência que será divulgado nesta terça-feira, 30, e foi obtido por agências de notícias. A equipe que investigou a origem do coronavírus considerou “extremamente” improvável que ele tenha infectado humanos após um incidente num laboratório.

O grupo concluiu que a causa mais provável da pandemia foi a transmissão do Sars-CoV-2 de morcegos para humanos através de outro animal intermediário. Os especialistas, no entanto, ainda não conseguiram identificar qual teria sido o hospedeiro intermediário do vírus.

Produzido por peritos da OMS e cientistas chineses, o relatório confirma as primeiras previsões apresentadas no início de fevereiro na cidade de Wuhan, onde o vírus foi detectado pela primeira vez, em dezembro de 2019. O documento recomenda ainda a continuação dos estudos sem descartar nenhuma hipótese, incluindo a de um acidente de laboratório.

Os peritos afirmam também que estudos da cadeia de abastecimento do mercado de Huanan e de outros em Wuhan não permitiram encontrar “evidências da presença de animais infectados, mas a análise da cadeia de abastecimento forneceu informações” úteis para análises direcionadas, especialmente nas regiões vizinhas.

Os especialistas também pediram para “não se negligenciar os produtos de origem animal de regiões fora do Sudeste Asiático” e defenderam que investigações futuras sejam desenhadas “em áreas maiores e num maior número de países”.

Tarefa difícil – O enviado especial da OMS para a Covid-19, David Nabarro, afirmou nesta terça-feira ser extremamente difícil descobrir de onde surgiu o coronavírus. “Não sabemos a origem precisa do vírus HIV, não sabemos a origem precisa do ebola e levará muito tempo para descobrirmos a origem precisa da Covid-19”, disse em entrevista à emissora britânica Radio 4 da BBC. Nabarro disse ainda que a OMS trabalha com várias hipóteses sobre a origem da pandemia, mas destacou que a investigação leva tempo.

A missão sobre as origens da transmissão do coronavírus aos humanos, considerada extremamente importante na tentativa de melhorar o combate de uma possível próxima epidemia, enfrentou dificuldades para realizar as suas investigações, pois encontrou relutância da China.

Programada para começar no início de janeiro, a investigação da OMS foi afetada por atrasos, preocupação em relação ao acesso aos locais necessários e disputas entre China e Estados Unidos, que acusaram Pequim de esconder a extensão do surto e criticaram os termos para a missão. Especialistas chineses conduziram a primeira parte da pesquisa. A equipe da missão foi composta por especialistas em medicina veterinária, virologia, segurança alimentar e epidemiologia.

Missão sensível para Pequim – A busca pela origem do coronavírus é politicamente delicada. A China teme ser condenada como culpada pela pandemia. Pequim rechaça qualquer responsabilidade pela eclosão global da doença, evocando outras possibilidades de propagação para além de Wuhan.

De início, o governo chinês negara permissão para uma investigação internacional sobre a origem do patógeno com o fim de otimizar o combate à atual e a futuras pandemias. Só com um ano de atraso, Pequim autorizou a missão da OMS.

O atual relatório é baseado na visita peritos internacionais da OMS a Wuhan em meados de janeiro e fevereiro deste ano. A divulgação do documento foi adiada várias vezes, levantando questões sobre se o lado chinês estava tentando distorcer as conclusões para evitar que a culpa pela pandemia recaísse sobre a China.

A pandemia provocou mais de 2,7 milhões de mortes e mais de 127 milhões de casos foram registrados no mundo, segundo dados da Universidade Johns Hopkins.

Fonte: Deutsche Welle Brasil

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