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Ilustração: Freepik

Registro de candidaturas femininas cai 0,5% em relação a 2014

Eleições 2018

Apesar dos esforços do STF em garantir um mínimo de 30% de verba e tempo de propaganda no horário eleitoral para candidaturas femininas e outros movimentos visando a maior participação das mulheres na política, a falta de oportunidade e a descrença fizeram com que a proporcionalidade entre as candidatas mulheres caísse nesse pleito. Candidaturas femininas nas eleições deste ano chegam a 30,6% – 8,4 mil – de um total de 27.485 pedidos de registros encaminhados ao Tribunal Superior Eleitoral – TSE. O Centro-Oeste é a região com maior percentual 31,14%, depois o Sudeste (31,02%), Sul (30,84%), Nordeste (30,30%) e Norte (29,75%). Pela legislação, 30% é o percentual mínimo de candidaturas do sexo feminino por partido.

Em relação às últimas eleições de 2014, ano em que as mulheres representavam 31,1% das candidaturas, o pleito deste ano sofre um decréscimo de 0,5%. De acordo com os dados da Justiça Eleitoral, a maioria das candidatas se declara branca (51,7%) e parda (33,4%). A maior parte tem entre 45 e 49 anos e nível superior completo. A quantidade de casadas e solteiras é praticamente igual: 40%.

Pelos dados, 61,7% das candidaturas são para vagas de deputadas estaduais, enquanto 30% para federais. Há apenas duas candidatas à Presidência da República – Marina Silva (Rede) e Vera Lúcia (PSTU) – e 29 para governos dos estados.

Eleitorado feminino mais consciente – O cientista político Valdir Pucci, em entrevista à Agência Brasil, disse que não houve mudança significativa no número de candidaturas em comparação com as últimas eleições gerais de 2014. Porém, acredita que desta vez a aposta dos partidos políticos é que o eleitorado feminino deve preferir votar em mulheres. Nas disputas a vagas para deputados federais, estaduais e distritais, houve a preocupação do cumprimento da cota mínima dos 30% de candidaturas femininas exigidas por lei.

“Já na eleição majoritária [de governadores, senadores e presidente da República] em que cada voto é importante e a maioria do eleitorado é feminino, os partidos já perceberam que este público tem uma força muito grande e que a mulher começa a se identificar com o seu gênero na hora de votar. Por isso no caso dos presidenciáveis, grandes partidos têm mulheres na vaga de vice na chapa”, ressaltou.

Para Pucci, as mulheres também podem simbolizar o sentimento de renovação na política. “A mulher não é identificada pelo eleitor como política tradicional, corrupta, ela é muito mais vista como sinal de renovação”, avaliou.

Para o cientista político da Universidade de Brasília, Lúcio Rennó, as mulheres conquistam mais visibilidade pois estão organizadas e atuantes na defesa de várias causas, como o combate a relacionamentos abusivos e o feminicídio. Rennó elogiou a obrigatoriedade do respeito à cota dos 30% do Fundo Eleitoral às campanhas de mulheres. Segundo ele, é um diferencial e uma conquista, pois mostra como a Justiça Eleitoral está atenta às mudanças nos anseios da sociedade.

Pela resolução, caberá aos partidos estabelecer os critérios de distribuição do montante entre seus candidatos, levando em consideração a cota reservada às mulheres. O partido que não destinar o percentual definido para a campanha de uma mulher pode não ter as contas anuais aprovadas. A rejeição implica ainda na devolução do dinheiro declarado irregularmente, acrescido de multa de até 20%. (Com Agência Brasil)

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