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Movimento chama população e sindicatos para unificar ações contra reformas

Data: 06/09/2017 14:37:00
Crédito: Julio Fernandes/ Ag. Full Time

Despertar a população da passividade coletiva frente aos ataques sociais e unificar a classe sindical são as principais bandeiras do que será o Movimento Resistência Por Um Brasil Melhor, lançado na terça-feira, 6, pelo Fórum Sindical dos Trabalhadores - FST. Para dirigentes de 22 confederações, entre elas, a CNTS, o desafio do movimento será resgatar o papel que os sindicatos tinham no passado, como a luta para conquistar direitos para os trabalhadores, direitos esses que foram perdidos com as impopulares reformas do Governo Federal.

 “O sindicato é como um escudo protetor que os trabalhadores criaram, uma arma contra a submissão, a subordinação e o poder do empregador. Estão vendendo a ideia que o trabalhador está sendo libertado do sindicato. É preciso reinventar a organização de luta dos trabalhadores. Não podemos mais continuar brigando entre nós, através da desqualificação do outro, mas temos que construir uma nova visão estratégica e entender como vamos conduzir as transformações do movimento sindical daqui para frente”, afirma Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos - Dieese.

Para o secretário-geral da União Internacional dos Trabalhadores da Alimentação para a América Latina - UITA, Gerardo Iglesias, a apatia da população e do movimento sindical faz com que os escândalos e a perda de direitos cresçam no país. “Esta reforma trabalhista foi aprovada porque o Congresso percebeu que não houve maior resistência. Os protestos são isolados e a classe política sente pouca pressão, com isso se encoraja pela crescente impunidade na qual atua. Isso precisa mudar. Existem muitos dirigentes sindicais que há anos não se aproximam da base. O movimento necessita de novos parceiros da sociedade civil, com a participação das organizações feministas, de agricultores e da comunidade LGBTI. Precisamos articular recursos, experiências e capacidades”.

Reforma Trabalhista - A população está diante de uma nova legislação que visa dar total segurança jurídica para as empresas, quebrando o acesso do trabalhador à Justiça do Trabalho e a toda forma de organização sindical. A reforma trabalhista, que entrará em vigor dia 11 de novembro, faz parte de um contexto de transformações do capitalismo mundial que visa reduzir drasticamente o custo do trabalho. A mudança da legislação trabalhista brasileira é mais uma entre as 642 que já ocorreram em 110 países entre 2008 e 2014.

E o Movimento utilizará alguns caminhos para resistir à reforma, como por exemplo, de forma institucional, realizando diálogos com os três poderes; pela esfera jurídica, revogando ou modificando a nova legislação e através dos meios sindicais, mostrando para a classe trabalhadora e a população os reais efeitos da Lei 13.467/17.

O coordenador do FST, Artur Bueno de Camargo, ressalta que o Movimento de Resistência será maior do que apenas resistir à reforma trabalhista. “Precisamos fazer um trabalho de conscientização não apenas dos trabalhadores, mas da sociedade, de uma forma geral, para que possamos ter uma política que atenda às necessidades da sociedade brasileira. Contudo, não teremos justiça social com a atual classe política”.

Projeto de Lei – A Campanha fará ações conjuntas nos estados colhendo assinaturas para o projeto de lei de iniciativa popular, que pretende revogar a reforma trabalhista – Lei 13.467/17. A CNTS será responsável por colher assinaturas em cinco estados, Bahia, Mato Grosso, Piauí, Rio de Janeiro e Tocantins, como informa o vice-presidente, João Rodrigues Filho. “A Confederação participa do grupo 2, se somando aos demais grupos que tiver dificuldade na coleta de assinaturas. Estaremos presentes em todos os estados brasileiros”.

Para o tesoureiro-geral da CNTS, Adair Vassoler, o papel das bases será fundamental nesta resistência. “A CNTS não medirá esforços para orientar todas as entidades sindicais e os trabalhadores sobre esta legislação. Veremos até onde poderemos ir para barrar esta reforma, entrando com recursos judiciais, fazendo campanhas e o que mais for necessário para que a classe trabalhadora não assuma o prejuízo que o Governo Federal está imputando aos trabalhadores”.