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Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

PF atribui a Ricardo Salles obstrução de investigação, favorecimento de madeireiros e organização criminosa

Meio Ambiente

Superintendente da Polícia Federal no Amazonas encaminhou notícia-crime ao Supremo Tribunal Federal contra o ministro do Meio Ambiente, acusado de agir em favor de investigados na Operação Handroanthus GLO, que mirou extração ilegal de madeira na Amazônia e no Pará. A operação resultou na maior apreensão de madeira da história do Brasil.

A Polícia Federal encaminhou ao Supremo Tribunal Federal – STF notícia-crime contra o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, por obstrução de investigação ambiental, advocacia administrativa e organização criminosa. A peça foi redigida pelo superintendente da PF no Amazonas, Alexandre Saraiva, e acusa Salles, o presidente do Ibama, Eduardo Bim, e o senador Telmário Mota (PROS-RR) de atuarem em favor de investigados da Operação Handroanthus GLO, que mirou extração ilegal de madeira na Amazônia e no Pará, no final do ano passado, que resultou na maior apreensão de madeira da história do Brasil.

Segundo a PF, os três estariam intervindo no órgão no âmbito de uma operação que prendeu duzentos mil metros cúbicos de madeira extraídos de maneira ilegal na floresta Amazônica, avaliadas em R$ 129 milhões. Eles seriam também um “braço ativo” de madeireiros alvos da Operação Handroanthus, ocorrida em dezembro do ano passado.

Segundo Saraiva, além de dificultar a ação de fiscalização ambiental, Salles ‘patrocina diretamente interesses privados (de madeireiros investigados) e ilegítimos no âmbito da Administração Pública’ e integra, ‘na qualidade de braço forte do Estado, organização criminosa orquestrada por madeireiros alvos da Operação Handroanthus com o objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer natureza’.

O superintendente cita, como exemplo, uma exigência feita por Salles a peritos da PF sobre a documentação das madeiras apreendidas. Desde a deflagração da Handroanthus, o ministro questiona a ilegalidade das toras recolhidas pela PF, afirmando que elas seriam, na verdade, madeira extraída de forma legal.

“Mesmo amparado por farta investigação conduzida pela Polícia Federal – isto é, órgão de segurança pública vocacionada produzir investigações imparciais –, (Ricardo Salles) resolveu adotar posição totalmente oposta, qual seja, de apoiar os alvos, incluindo, dentre eles, pessoa jurídica com 20 (vinte) Autos de Infração Ambiental registrados, cujos valores das multas resultam em aproximadamente R$ 8.372.082,00 (Oito milhões, trezentos e setenta e dois mil e oitenta e dois reais)”, registrou Saraiva.

O delegado ainda listou diversas publicações nas redes sociais e entrevistas de Salles a veículos de imprensa em que o ministro adotaria uma em defesa da ‘inocência’ dos investigados, ‘patrocinando de forma escancarada os interesses dos madeireiros’. “Chegou ao ponto de pretender atuar como perito, querendo rastrear a madeira extraída, sem ao menos saber qual o modus operandi da organização criminosa”, acusou Saraiva.

No início do mês, em entrevista ao Estadão, Salles questionou a operação e disse que as áreas investigadas eram legais. “Está se tentando criar em cima desses proprietários uma sensação de insegurança jurídica. Vai quebrar os caras. E essa turma vai para a ilegalidade”, disse. Qual é ilegalidade? Se você me disser que pode ter outra lá no meio, é possível. Rotular tudo aquilo de ilegal, sabe o que vai acontecer? Você quebra essa turma que está lá, aí sim vão para a ilegalidade”.

Telmário – Em relação ao senador Telmário Mota, Alexandre Saraiva afirma que o parlamentar é um ‘opositor declarado’ das ações da PF contra o desmatamento na Amazônia e expressa em suas redes sociais o ‘intento de interferir em ação fiscalizadora ambiental e de patrocinar interesses privados (de madeireiros) em detrimento da ação legítima da polícia investigativa’.

“As atividades desempenhadas pelo Senador extrapolam, e muito, a imunidade parlamentar por opiniões, palavras e votos, pois buscam desacreditar atividade de polícia investigativa, em prol de interesses obscuros”, afirmou.

Para o superintendente da PF no Amazonas, Salles e Telmário tiveram uma parceria com o setor madeireiro “no intento de causar obstáculos à investigação de crimes ambientais e de buscar patrocínio de interesses privados e ilegítimos perante a Administração Pública”.

Em nota, o senador afirmou que Saraiva ‘mais uma vez busca os holofotes com uma notícia-crime patética, sem fundamento e elaborada apenas para ganhar espaço na mídia e nas redes sociais. “A verdade é que, o delegado é um covarde que pratica autoritarismo e não tem coragem de debater com o Ministério do Meio Ambiente e da Justiça, um protocolo para regulamentar o setor madeireiro”, disse o parlamentar.

‘Não vai passar boiada’ – Ao comentar críticas feitas por Ricardo Salles acerca da Operação Handroanthus, Alexandre Saraiva disse que “na Polícia Federal não vai passar boiada”.

A palavra “boiada” foi dita por Salles durante reunião ministerial de 22 de abril de 2020, marcada pela saída, dois dias depois, do ex-ministro da Justiça Sérgio Moro do governo. Na ocasião, Salles afirmou que o governo precisava aproveitar as atenções voltadas para a Covid-19 para passar “a boiada no regramento”.

Fonte: Com Estadão, G1 e Estado de Minas
CNTS

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