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Foto: Freepik

OMS descarta imunidade coletiva para Covid-19 ainda em 2021

Saúde

Segundo diretora da OMS, distribuição da vacina 'leva tempo' e uso de máscaras e distanciamento continuarão fazendo parte do dia a dia da humanidade 'pelo menos até o fim deste ano'.

As campanhas de vacinação em massa, que começam a fazer frente ao rápido avanço da Covid-19, não serão suficientes para garantir a imunidade coletiva ainda em 2021, alertou a Organização Mundial da Saúde – OMS, na segunda-feira, 11. A OMS advertiu que o uso de máscaras, o distanciamento e a higiene continuarão fazendo parte do dia a dia da humanidade “pelo menos até o fim deste ano”.

“Não vamos atingir nenhum nível de imunidade da população, ou imunidade de rebanho em 2021”, declarou a chefe da equipe científica da OMS, Soumya Swaminathan, em entrevista coletiva. A distribuição da vacina “leva tempo”, explicou ela.

Segundo ela, apenas poucas regiões terão vacina suficiente para chegar a uma situação onde grande parte da população estará protegida contra o vírus, o suficiente para evitar que ele circule. Estima-se que pelo menos 60% da população mundial precise ser imunizada para que o conceito de imunidade de rebanho comece a surtir efeito. Mas essa cifra ainda é imprecisa e pode ser ainda maior. Alguns especialistas falam num patamar de 80%.

E o mundo ainda está longe disso. Até 11 de janeiro, pouco mais de 28 milhões de pessoas foram vacinadas, o que representa apenas cerca de 0,4% da população mundial – 7 bilhões.

Nesta pandemia, a imunidade de grupo ocorrerá quando uma parcela grande o suficiente da população desenvolver uma defesa imunológica contra o coronavírus. Nesse cenário, a doença não consegue se espalhar porque a maioria das pessoas é imune e ela passa a ter grande dificuldade para encontrar alguém suscetível.

“Fizemos um progresso incrível. Há um ano, ninguém acreditava que teríamos mais de uma vacina sendo produzida. É uma comprovação sobre a eficiência dos cientistas do mundo, que trabalharam juntos. Mas produzir bilhões de doses demora. Precisamos ser pacientes. Não vamos conseguir proteger as pessoas do planeta inteiro de uma vez”, explicou Swaminathan.

Bruce Aylward, conselheiro sênior do diretor-geral da agência internacional, lembrou ainda que a Covax Facility, iniciativa da OMS para garantir que todos os países do mundo recebam o imunizante, já reservou 2 bilhões de doses.

Aylward reiterou que é preciso que todas as nações trabalhem juntas, que países com sobra de doses doem os imunizantes para a Covax para dar um fim à pandemia.

Medidas para segurar o vírus – Os diretores da OMS lembraram que, mesmo sem a vacina, é possível reprimir a disseminação do coronavírus. Distanciamento social, evitar socializar com pessoas que não moram na mesma casa, usar álcool gel e máscara são suficientes, segundo eles, para diminuir a transmissão. “Nós cansamos do vírus, mas ele não cansou de nós. Limitar a transmissão diminui a chance de novas mutações mais perigosas surgirem“, afirma Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da entidade.

Avanço da vacinação – Mais de um ano se passou desde que a China relatou os primeiros casos de um novo tipo de pneumonia à OMS, que semanas depois seria batizada de Covid-19.

Desde então, foram registrados 90,9 milhões de casos da doença no mundo e 1,9 milhão de pessoas morreram em todas as regiões do planeta. No Brasil, são 8 milhões de casos e mais de 203 mil mortes.

Enquanto o Brasil discute seu plano de vacinação, pelo menos 40 países já começaram a vacinar sua população contra Covid-19.Israel, Reino Unido, Alemanha, Estados Unidos, China, Rússia, Itália, Canadá são alguns dos países que já começaram a imunizar suas populações. Na América Latina, México, Chile, Costa Rica e Argentina já aplicam a vacina.

Algumas metas são ambiciosas. Israel quer se tornar o primeiro país a acabar com a covid-19 por meio de vacinação. Já o governo britânico – que aprovou três vacinas contra Covid-19 – anunciou no fim de semana que sua meta é vacinar toda a população adulta até meados de setembro.

Das mais de 28 milhões de pessoas vacinadas, a maior parte está na China – 9 milhões e nos Estados Unidos – 8,99 milhões, seguidos por Reino Unido – 2,68 milhões e Israel – 1,85 milhão.

Em proporção ao tamanho da população, Israel está no topo da lista, com mais de 21% de seus habitantes vacinados. Em seguida, aparecem os Emirados Árabes Unidos – 11,8% e Bahrein – 5,44%. Os demais, incluindo Reino Unido e EUA, ainda não chegaram a 5% da população imunizada.

A corrida mundial entre países para vacinar suas populações, que marca o começo de 2021, já tem revelado problemas logísticos. Entre as preocupações, estão a falta de frascos de vidro para as vacinas, a busca por mais pessoas para vacinar a população, além do suprimento de seringas.

Na última conferência de 2020, a OMS disse que, apesar da vacinação, a erradicação da Covid-19 “é um obstáculo muito alto”.

“A existência de vacina, mesmo com alta eficácia, não é garantia de eliminação ou erradicação de uma doença infecciosa”, disse Mark Ryan, chefe do programa de emergências da OMS, no final de dezembro.

Fonte: Com Metrópoles, Yahoo Notícias e Estadão
CNTS

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