Na mesma linha do governo, Congresso tem apenas 5% de aprovação

O apoio às reformas de cunho liberal e as constantes denúncias de corrupção prejudicam não apenas o governo, mas também o Congresso Nacional. Pesquisa Datafolha, divulgada nesta quarta, 6, aponta que a aprovação da Câmara e do Senado é de apenas 5% – mesmo índice que Michel Temer. A rejeição ao trabalho dos atuais 513 deputados federais e 81 senadores atingiu seu pico na história recente com 60% dos brasileiros considerando-o ruim ou péssimo. Parte da repulsa aos ”representantes do povo brasileiro” se deve, claro, à transmissão em tempo real da transformação da instituição em um mercado a céu aberto, onde se compra e vende de tudo. Para 31% da população, o Congresso é regular.

A série de pesquisas do Datafolha sobre o desempenho dos congressistas, iniciada em 1993, permite dizer que a atual legislatura é, na média, a mais mal avaliada de que se tem registro. Nas seis legislaturas anteriores os resultados também foram em geral negativos, mas nunca com indicadores tão ruins.

Perfil conservador – Parcela considerável dos deputados e senadores foi eleita devido à montanha de recursos oriunda de doadores de campanha de empresas interessadas em bom investimento. Ou seja, a força do dinheiro, mais do que qualquer outra coisa, elegeu um amontoado de interesses escusos.

Mas é importante lembrar que esta legislatura não se resume à corrupção. Ela tem um perfil: é conservadora socialmente, atrasada do ponto de vista dos direitos humanos, temerária em questões ambientais, liberal economicamente e pulverizada partidariamente. A análise é de estudo do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar – Diap. Representa, portanto, uma parcela considerável da sociedade no que diz respeito à visão de mundo e ação diante desse mundo.

Anões do orçamento – O momento que mais se aproximou ao atual ocorreu em 1993, último ano da hiperinflação e data do estouro do escândalo dos Anões do Orçamento, grupo de congressistas acusados de desviar recursos públicos para os próprios bolsos. No segundo semestre daquele ano, 56% da população rejeitavam o trabalho dos parlamentares, segundo o Instituto.

Nesses últimos 25 anos, a única vez em que o Datafolha apontou uma avaliação positiva dos congressistas numericamente superior à negativa foi em dezembro de 2003, primeiro ano da primeira gestão de Luiz Inácio Lula da Silva no Planalto – 2003-2010. Os deputados e senadores eleitos em 2014 iniciaram o mandato sob a batuta, na Câmara, do polêmico Eduardo Cunha (RJ).

O deputado do PMDB imprimiu um ritmo acelerado de votação, deu maior independência à Casa em relação ao Executivo e bateu de frente com o governo de Dilma Rousseff, tornando-se um dos principais líderes do movimento político que acabaria aprovando o impeachment da petista em 2016. Afastado do cargo e do mandato pelo Supremo Tribunal Federal, Cunha hoje está preso no Paraná em decorrência das investigações da Operação Lava Jato.

Já sob o governo de Michel Temer, o Congresso aprovou medidas como o congelamento dos gastos federais, uma reforma política bastante enxuta, distante do que se almejava inicialmente, e a reforma trabalhista, que reduz ou até mesmo extingue direitos sociais e trabalhistas previstos na CLT e na Constituição Federal.

Atualmente, tenta votar o endurecimento das regras para aposentadoria, proposta que também amarga considerável rejeição popular. O escândalo da Operação Lava Jato também atinge em cheio o Legislativo, incluindo os presidentes das duas Casas, o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) e o senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), que são alvos no Supremo Tribunal Federal de investigações relacionadas ao caso. (Com Folha de São Paulo e UOL)

 






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