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Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Massacre de Suzano ocorre em meio a crescente culto às armas no país

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“Mãe, socorro, está tendo um tiroteio aqui!” Esse foi o pedido desesperado de Letícia Nunes, de 15 anos, baleada na lombar na chacina da Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano/SP, por dois ex-alunos, de 17 e 25 anos, na quarta, 13. Letícia, que conseguiu sobreviver, era um dos muitos alunos que estavam na fila da merenda quando o ataque aconteceu. Infelizmente, cinco alunos e duas funcionárias não sobreviveram.

Um lugar que eles imaginavam estar em segurança, assim como muitos brasileiros imaginam estar em segurança dentro de uma igreja, de um hospital, em uma lanchonete, em um carro ou dentro de casa. Mas a realidade do 9º país mais violento do mundo é outra, aqui alguém mata banalmente por uma briga de trânsito de 9 segundos ou fere alguém dentro de um hospital porque o atendimento está demorando.

Aos poucos esses crimes vão se incorporando à nossa realidade como mais uma anormalidade rotineira. Aos pouquinhos, a violência invade as últimas reservas ambientais urbanas: escolas, creches, igreja. O sangue já jorrou até em cinema de shopping center.

Nos últimos 11 anos, 553 mil pessoas foram assassinadas no Brasil. Na Síria, que convive com conflito armado há mais de sete anos, morreram 500 mil no mesmo período. E o presidente da República acha que a solução para a violência é disseminar a posse de armas. As ações da atual administração do país é transferir a responsabilidade dos problemas da segurança pública para os cidadãos. A defesa da população é dever do Estado. Não dá para relativizar o genocídio em conta-gotas dos brasileiros o fato de termos jogos violentos, como falou o vice-presidente, Hamilton Mourão.

Ou comparar que liquidificar e carros são tão letais quanto uma arma de fogo, como já defenderam o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e o deputado Eduardo Bolsonaro.

O senador Major Olímpio, hoje a principal voz do PSL, partido de Bolsonaro, no Senado, foi explícito: “Se tivesse um cidadão com arma regular dentro da escola – professor, servente, um policial militar aposentado –, ele poderia ter minimizado o tamanho da tragédia”.

A facilidade para obtenção de armas no Brasil é um dos motivos que ajudam a explicar mais um episódio de ataque numa escola, algo que passou a ocorrer no país com certa frequência nos anos recentes.

Nesse contexto, banir as armas seria a melhor solução. O governo Bolsonaro está no caminho errado. Já flexibilizou a posse de arma via decreto. Ontem, antes de saber do massacre, o presidente disse a jornalistas que encaminharia ao Congresso projeto para afrouxar as regras de posse. O que só pioraria o problema. Mais armas de fogo em circulação resultam em mais episódios violentos com esses instrumentos letais, atestam pesquisas e apontam os especialistas mais respeitados.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), reagiu corretamente. Afirmou que facilitar a posse de armas em áreas urbanas seria estimular a barbárie no Brasil. Disse que segurança pública é responsabilidade do Estado e que o tema não deve ser terceirizado, seria jogar a responsabilidade pela defesa pessoal na conta do cidadão.

Porém é mais fácil querer que a população faça justiça com as próprias mãos do que arrumar uma solução para o problema. Como revela o jornalista Josias de Souza, “a grande questão, é que nossos governantes não enxergam nem o problema.  Tornaram-se parte da encrenca. A pistola acima de tudo. Depois das mortes, Deus acima de todos”.

 

CNTS

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