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Foto: Sateal

Juíza fala sobre violência e adoecimento mental no setor saúde

Sindicatos de Base

Em entrevista ao Sateal, juíza Bianca Calaça orienta o trabalhador a identificar situações de violência e demais práticas abusivas dentro do local de trabalho.

Diante da iniciativa da realização do primeiro seminário sobre violência e adoecimento mental do trabalhador da saúde, promovido pelo Programa Trabalho Seguro, iniciativa do Tribunal Regional do Trabalho da 19ª Região em parceria com a Procuradoria e Sindicatos, realizado em julho na capital, o Sateal – Sindicato dos Auxiliares e Técnicos de Enfermagem do Estado de Alagoas tomou como iniciativa estender e aprofundar mais o debate e com a contribuição da juíza Bianca Calaça, orienta o trabalhador a identificar situações de violência e demais práticas abusivas dentro do local de desempenho de atividade profissional.

A entrevista estará dividida em uma série, produzida em vídeos e lançada semanalmente nos canais do Sindicato. Confira e acompanhe.

Sateal – O que é a violência no trabalho?

Bianca Calaça – A violência no trabalho pode ser conceituada de forma mais ampla. Violência e assédio não se confundem, o assédio é uma espécie de violência. Uma série de condutas que são inaceitáveis no ambiente de trabalho sejam de ordem física, psicológica, econômica, sexual. Se causar dano o trabalhador na esfera física, mental e financeira pode ser configurada como ato de violência.

Essa violência pode ser praticada por qualquer pessoa, de um trabalhador para outro no mesmo nível hierárquico, de um chefe ou de um subordinado, pode vir também de um público externo, pode ser o paciente, o filho de paciente, o atendente, ou seja, qualquer pessoa na esfera do trabalho. Essa violência pode acontecer numa confraternização, num refeitório, no local de exercício das tarefas. Entendemos como caracterização da violência quando ela afeta justamente os aspectos físicos, psíquicos.

S – Quais as características que provocam o adoecimento no setor saúde?

BC – O adoecimento tem marcado a nossa sociedade. Estamos vivendo um tempo em que se quer muita qualificação, muita rapidez e grande produção. Isso fragiliza o trabalhador, que vive um momento de incertezas sobre a sua permanência no trabalho. Temos número grande de desempregados e a redução de direitos sociais, tanto na esfera do trabalho quanto na Previdência. Diante disso o trabalhador vai se sentir mais pressionado e vai para um ambiente em que se exige dele maior desempenho, com menor custo e maior velocidade.

Toda essa demanda é propícia a causar o adoecimento do trabalhador. A partir disso, somam-se aspectos como violência física, felizmente não tão frequente, sobrecarga de trabalho e pela própria estratégia de gestão das empresas públicas ou privadas. O que acontece em particular com o trabalhador da saúde é que muitas vezes ele trabalha em condições desfavoráveis, lidando com a população em seu momento de maior fragilidade.

Estando o trabalhador sobrecarregado, pela necessidade de mais de um emprego, tendo que deslocar-se de um local para o outro, sem intervalo para recuperação física e mental, ele chega no local de trabalho esgotado. E se esse profissional não está equilibrado e tem um gestor que cobra mais do que o possível, que exige prolongamento de jornada sem intervalo, isso só vai provocar o adoecimento.

Confira os vídeos da entrevista sobre adoecimento mental, clicando aqui, e adoecimento no setor saúde, clicando aqui.

Fonte: Sateal
CNTS

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