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Foto: Arquivo Agência Brasil

Governo quer cortar PIS/Pasep porque acha que é pago a quem não precisa tanto

Governo

Pela reforma da Previdência, os abonos só serão pagos a quem tiver renda de até um salário mínimo

Pela proposta da reforma da Previdência do governo de Jair Bolsonaro, o pagamento do abono salarial do PIS/Pasep ficará restrito aos trabalhadores da iniciativa privada e aos servidores públicos que ganham até um salário mínimo de remuneração mensal, ao invés de quem ganha até dois salários mínimos. A justificativa do governo é que o abono beneficia pessoas de ‘renda intermediária’, em detrimento daquelas que vivem de fato na pobreza, e gera desigualdade na maneira como está configurado hoje.

Traduzindo, o governo quer cortar PIS/Pasep porque acha que é pago a quem não precisa tanto. Agora falta explicar isso aos milhões de brasileiros que recebem até dois salários mínimos e precisam se preocupar com constantes aumentos nos preços dos alimentos, da água, da luz, do gás de cozinha, dos remédios, da gasolina, da passagem de ônibus, do aluguel, entre outras coisas.

As informações fazem parte dos documentos de detalhamento da reforma da Previdência que estavam sob sigilo e, foram apresentados parcialmente na semana passada. Em sua justificativa, o governo também afirma que o abono, criado nos anos de 1970, perdeu seu sentido de complementação de renda ao longo das décadas graças à política de valorização do salário mínimo, que garantiu ganhos acima da inflação aos trabalhadores nos últimos anos. Esta política, aliás, acabou quando o governo propôs ao Congresso Nacional que o valor do salário mínimo vá de R$ 998,00 para R$ 1040,00, sem aumento real, apenas o reajuste inflacionário, no ano que vem.

Com o endurecimento da regra do abono, 23,4 milhões de trabalhadores devem perder o direito ao benefício, que chega a R$ 998 por ano. O número corresponde a 91,5% do total de pessoas que hoje podem recebê-lo. O número é baseado em dados de 2017 informados pelas empresas ao antigo Ministério do Trabalho e levantados pelo site Trabalho Hoje.

Enquanto corta o pouco de milhões de brasileiros, o presidente da República quer abrir os cofres para os mais ricos. Ontem, 29, durante feira agropecuária, Bolsonaro pediu que o Banco do Brasil reduzisse a taxa de juros para o agronegócio. Não é a primeira vez que o governo promete afagos aos ruralistas. Em fevereiro, o governo sinalizou que perdoará dívidas bilionárias de empresários do agronegócio com o Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural – Funrural.

O presidente vai apoiar a aprovação do Projeto de Lei 9.252/2017, do deputado ruralista Jerônimo Goergen (PP-RS), que concede perdão total das dívidas acumuladas por produtores rurais e agroindústrias. O valor estimado em sonegação desse imposto pode chegar a R$ 17 bilhões.

Além disso, a equipe econômica prepara pacote que poderá destravar pelo menos R$ 20 bilhões em novos empréstimos para que produtores rurais renegociem dívidas passadas e financiem as próximas safras.

Fonte: Com informações de UOL, Valor Econômico, Extra e IG
CNTS

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