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Foto: Cinthia Bispo/CNTS

Em ato de protesto, enfermagem exige jornada e salários dignos

Enfermagem

Profissionais se uniram em Minas Gerais para lutar pela redução de jornada de trabalho e fixação de piso nacional. O protesto marcou o Dia Nacional de Luta pela Valorização da Enfermagem.

No Dia Nacional de Valorização da Enfermagem, comemorado na sexta-feira,17, centenas de manifestantes de vários estados se reuniram nas ruas de Belo Horizonte, em Minas Gerais, para exigir mais valorização da categoria, cobrar redução da jornada de trabalho e fixação de piso nacional de salário da categoria. Participaram do ato profissionais de Brasília, São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e Goiás. A CNTS foi uma das entidades que se somaram ao ato na luta pela valorização da enfermagem.

Foto: Cinthia Bispo/CNTS

A manifestação, organizada pelo Fórum Nacional da Enfermagem, com o tema “Cuidar de quem cuida: Humanizar as Relações de Trabalho”, teve início na Praça da Estação, às 9h, e seguiu rumo à Assembleia Legislativa de Minas Gerais, onde foi realizada audiência pública. Na marcha, líderes de entidades falaram em defesa da profissão, do SUS e de uma aposentadoria digna. Os participantes cobraram a aprovação do Projeto de Lei 2.295/00, que regulamenta em 30 horas semanais da jornada de trabalho da categoria e que tramita há 20 anos no Congresso Nacional. O projeto começou a tramitar no Senado Federal em 1999 e está pronto para avaliação do plenário da Câmara dos Deputados desde 2015.

O diretor de Assuntos Legislativos da CNTS, Mário Jorge Santos, ressaltou a importância da marcha em defesa de uma categoria que está sobrecarregada e doente. “A enfermagem precisa ser ouvida, precisa ser valorizada. 30 horas não é privilégio, é uma necessidade. Uma jornada de trabalho menor é condição para garantir a saúde do trabalhador e um serviço de mais qualidade para o cidadão”, destacou.

Para Domingos da Silva Ferreira, diretor de Assuntos da Previdência e Assistência Social da CNTS, a luta da enfermagem é essencial para que a saúde pública não vire um caos. “Nós profissionais da enfermagem estamos 24 horas ao lado do paciente. Cansados, desvalorizados, muitas vezes agredidos, mas sempre cuidando da saúde de quem precisa. Não desvalorizando a importância de nenhuma categoria, mas nós da enfermagem, somos tudo nesse país. Por isso, mais valorização para nossa categoria é o mínimo que merecemos por tudo que fazemos”, afirmou.

Categoria lamenta excesso de trabalho e baixos salários – Os profissionais de enfermagem formam a segunda maior categoria profissional do Brasil, com aproximadamente 2 milhões de trabalhadores, perdendo apenas para os metalúrgicos. A jornada média de trabalho é de 37,5 horas semanais, com salário médio dos enfermeiros em torno de R$ 3,5 mil; dos técnicos em torno de R$ 1,7 mil.

Foto: Cinthia Bispo/CNTS

Durante audiência pública que debateu a situação atual e os desafios dos profissionais do setor, houve muitas reclamações de que as condições de trabalho e os baixos salários geram adoecimento dos profissionais. O secretário-geral da CNTS, Valdirlei Castagna, afirmou que os profissionais precisam se unir e cobrar os parlamentares se quiserem mudar a dura realidade em que vivem. “Nos últimos 30 dias a categoria participou de duas audiências públicas, tanto aqui em Minas, como na Câmara dos Deputados. Nelas, os parlamentares falaram da importância da categoria para o andamento do país. Mas queremos ver o reconhecimento traduzido em números, isso significa a aprovação do nosso projeto das 30 horas e o piso salarial nacional. Não aguentamos mais tanto descaso, tanta injustiça”, cobrou.

Castagna também informou que a Confederação está trabalhando em uma emenda da aposentadoria especial da enfermagem. Ela será protocolada pelo deputado Leonardo Monteiro (PT/MG) ao texto da reforma da Previdência que tramita no Congresso Nacional. “Se a PEC 6/2019 passar, queremos ter a garantia que a nossa categoria terá aposentadoria especial. Somos contra a reforma, mas temos que estar preparados para que, se caso essa reforma passe, pelo menos nosso direito a uma aposentadoria digna esteja garantido”.

Saúde dos trabalhadores – A presidente da Federação Nacional dos Enfermeiros – FNE, Solange Aparecida Caetano, apresentou levantamento realizado pelo Conselho Estadual de São Paulo com 23.737 profissionais da área. Dos consultados, 52% relataram que sofreram ou sofrem de algum transtorno mental.

O principal problema apontado foi ansiedade – 79,3%, seguido por depressão – 50,8%. Solange Caetano lembrou que de acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria, os transtornos mentais são responsáveis por 9% dos suicídios e a depressão por 35,8% dos casos.

Foto: Cinthia Bispo/CNTS

Na consulta do Conselho paulista, o fator mais relatado foi a sobrecarga de trabalho. A sindicalista disse que não existem dados sobre o índice de suicídios entre os profissionais, mas há uma percepção de aumento nos últimos anos. Ela se emocionou ao apresentar fotos de trabalhadores que acabaram com a própria vida desde maio do ano passado. “A enfermagem está pedindo socorro. Precisamos regulamentar nossa jornada de trabalho imediatamente”.

Foto: Cinthia Bispo/CNTS

A deputada Beatriz Cerqueira (PT), autora do requerimento para a realização da audiência pública, exaltou a importância da reunião, como instrumento para trazer para o parlamento a pauta da valorização dos trabalhadores em enfermagem.  Para a deputada, a luta da categoria, aliada aos investimentos públicos, é essencial para evitar situações de epidemias. “A precarização, o sucateamento, as jornadas extenuantes, a desvalorização em nada contribui para melhorar os indicadores de Minas Gerais”, disse ela ao se referir a surtos epidemiológicos vividos pelo Estado.

Frente parlamentar – Durante a audiência foi lançada a Frente Parlamentar Mineira em Defesa da Enfermagem, assinada por 55 deputados.

Fonte: Com Assembleia Legislativa de Minas Gerais
CNTS

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