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O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, fala à imprensa, no Palácio do Planalto.

Em artigo, Onyx Lorenzoni defende benefício de R$ 400 a idosos de baixa renda

Reforma da Previdência

Depois de receber R$ 100 mil via caixa 2 da JBS e pedir desculpas, ministro chefe da Casa Civil defende que R$ 400 a idosos de baixa renda é um olhar fraterno do governo com aqueles que mais precisam

Integrante da equipe de formulação do texto da reforma da Previdência, o chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que pediu desculpas ao receber R$ 100 mil via caixa 2 da JBS, defendeu o benefício de R$ 400 a idosos de baixa renda, a partir dos 60 anos. O ministro chamou a decisão de “um olhar fraterno do governo com aqueles que mais precisam”.

Em artigo publicado no jornal Folha de São Paulo no domingo,10, o ministro afirma que o projeto foi escrito “cuidadosamente” para “equiparar contribuintes, cortar privilégios e preservar direitos de quem está prestes a se aposentar”.

Pelo texto da Proposta de Emenda à Constituição – PEC 06/2019, idosos em situação de miséria só passariam a receber um salário mínimo após os 70 anos. Com a mudança nas regras do BPC, que atendem os idosos carentes, a partir dos 60 anos, eles começarão a receber R$ 400, chegando ao valor do salário mínimo somente quando tiver 70 anos. O olhar fraterno ao qual o governo dispõe sobre os idosos não permitirão que eles comprem uma cesta básica caso morem em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Florianópolis, pois o valor varia de R$ 457,82 a R$ 471,44.

Atualmente, o BPC é pago a 2 milhões de idosos e 2,5 milhões de pessoas com deficiência de baixa renda, que comprovem renda mensal per capita familiar inferior a um quarto do salário mínimo. Pela proposta da reforma, o valor de um salário mínimo do benefício continuaria a ser pago apenas para os deficientes.

Para o professor de economia da Unicamp Eduardo Fagnani, ao criar um benefício menor, o governo constrói um muro social, expulsando os idosos mais pobres da Previdência e os empurrando para o assistencialismo.

Segundo ele, o governo propositalmente esquece que depois da reforma trabalhista de Temer, 50% dos trabalhadores brasileiros estão na informalidade e eles dificilmente conseguirão contribuir por 20 anos, como quer Bolsonaro, para ter direito à aposentadoria. Também há uma parcela de 20% de trabalhadores sem carteira assinada ou PJ (pessoas jurídicas) que não conseguem pagar a Previdência.

Propina da JBS – Em uma tentativa de atenuar sua punição e não ser cassado, Onyx Lorenzoni concedeu entrevista à Rádio Gaúcha em 2017 e assumiu publicamente ter recebido propina da JBS. O parlamentar, que pediu um “basta na roubalheira” em seu discurso na votação do impeachment de Dilma Rousseff, confessou que ganhou R$ 100 mil em dinheiro vivo para sua campanha de 2014.

“Final da campanha, reta final, a gente cheio de dívidas com fornecedores, pessoas, eu usei o dinheiro. E a legislação brasileira não permite fazer a internalização desse recurso”, disse Onyx.

O parlamentar confessou ainda que não declarou o dinheiro para não ter que usar um laranja na prestação de contas. “Como faço? Pego o dinheiro de caixa 2 e coloco onde? Não posso botar na minha conta e transferir. Vou arrumar uma empresa para assumir isso e arrumar uma laranja? Aí não, aí estou lavando dinheiro”, disse.

Mesmo com a confissão, Onyx conta com a “confiança pessoal” do agora colega Sérgio Moro, ministro da Justiça. Em novembro do ano passado, Moro minimizou: “Ele já admitiu os seus erros e pediu desculpas”.

Fonte: Com informações da Folha de São Paulo, Metrópoles e Sul 21
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