Foto: Júlio Fernandes/AG. Fulltime

Diretoria aprova filiação da CNTS à ISP. Decisão será avaliada pelo Conselho de Representantes

CNTS

Diante da necessidade de estar integrada ao processo de globalização e de ocupar espaço importante nas discussões internacionais voltadas para o mercado de trabalho, a diretoria da CNTS aprovou, ad referendum do Conselho de Representantes, retomar a filiação à Internacional de Serviços Públicos – ISP. Para a Confederação, o intercâmbio permite conhecer o que se passa em outros países e como esses trabalhadores estão reagindo, além da troca de informações e experiências sobre as atitudes tomadas com vistas a fortalecer a reação dos trabalhadores ao modelo de exclusão social em curso desde o início da década de 1990.

Nos últimos tempos, em todo o mundo, os trabalhadores sofrem com as más condições de trabalho e de remuneração. As reformas ditas em nome da modernidade vêm retirando direitos fundamentais e precarizando as relações de trabalho. As sucessivas crises políticas e financeiras resultam em recordes de desemprego e retirada de direitos.

Para a CNTS, é preciso somar esforços na construção de um novo modelo de organização do Estado e da sociedade e a saúde deve ser uma das prioridades nas políticas de governo no sentido de garantir direitos humanos e sociais; a promoção de serviços públicos de qualidade como essenciais para construir sociedades justas; e incluir todas as pessoas para que gozem de igual acesso e igualdade de oportunidades. “Num mundo globalizado, em que governos e patrões se unem para ditar regras, não há como as representações dos trabalhadores atuarem isoladamente”, analisa o secretário-geral da CNTS, Valdirlei Castagna.

O período de filiação à ISP, iniciado em junho de 1998, propiciou a integração da CNTS com os trabalhadores das américas. Dirigentes da Confederação participaram, por exemplo, de vários eventos com o objetivo de debater saúde e previdência no Mercosul e encaminhamento dos projetos de interesse dos trabalhadores do ConeSul, com destaque para o projeto da saúde sobre legislação, direitos sindicais e currículo profissional.

Participaram, ainda, de reuniões da ISP na sede da Organização Internacional do Trabalho – OIT, em Genebra, Suíça, abrindo espaço para o debate sobre a escassez e a migração do profissional enfermeiro, com elaboração de uma política para a questão; discussões sobre as mudanças no mercado de trabalho, violência no trabalho e desafios da mercantilização e dos sistemas de gestão dos serviços de saúde. Discutiram também sobre o mercado de trabalho na América Latina; controle social e políticas públicas na construção do serviço de qualidade; e definiram estratégias de atuação sobre a diferença salarial entre homens e mulheres trabalhadores da saúde.

A Confederação se engajou aos vários segmentos da ISP – jovens, gênero, raça e LGBTI, entre outros – que têm por objetivo promover a igualdade de oportunidades, a formação política visando fortalecer o movimento sindical para ser mais inclusivo, melhorar a comunicação, sensibilizar a categoria para envolvimento na luta e inserir as temáticas na estrutura das entidades e na pauta de reivindicações. Com a atuação nos fóruns da ISP a CNTS foi a primeira entidade brasileira filiada a criar comitês específicos para a discussão das políticas transversais e, posteriormente, implantar a Diretoria para Assuntos de Gênero, Raça, Diversidade e Juventude.

Como filiada à ISP, a CNTS foi a única representante dos trabalhadores da saúde brasileiros na reunião do grupo de trabalho vinculado à OIT, em reconhecimento pelo trabalho junto ao movimento sindical, cabendo à Confederação expor sobre a situação do sistema de assistência à saúde, o comportamento estrutural dos empregados do setor e as condições de trabalho.

Na ocasião, a CNTS destacou o SUS como modelo ímpar, os princípios básicos e suas deficiências; e denunciou a exploração econômica pelos empresários da saúde por meio das privatizações, dos planos de saúde e das parcerias público-privadas. E cobrou ações conjuntas para assegurar a assistência pública, universal e com qualidade. Também falou sobre a organização sindical brasileira e das reivindicações dos trabalhadores; a escassez e a migração dos profissionais e sobre recrutamento internacional, práticas contrárias à ética; competências múltiplas e novos métodos de trabalho; formação contínua; e negociação coletiva.

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