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Foto: Getty Images

Crise fiscal encolhe serviços de saúde no país

Saúde

Redes estaduais perderam 17 hospitais e 30 unidades básicas em 2019. Manaus, Natal e Rio de Janeiro são as regiões mais afetadas. Tanto que um técnico de enfermagem se acorrentou na porta de um hospital cobrando seus direitos.

As cenas de caos na saúde do Rio de Janeiro chamaram a atenção em 2019, mas as dificuldades na saúde pública brasileira ocorreram, em menor ou maior intensidade, em outras regiões do país. Capitais como Manaus e Natal estão entre as que apresentam quadro caótico no setor. Além disso, no ano passado, 11 redes estaduais tiveram redução de sua estrutura na área, com diminuição no número de estabelecimentos de saúde estaduais entre janeiro e novembro, segundo levantamento do jornal O Globo com base em dados do Ministério da Saúde.

Uma das principais dificuldades apontadas por gestores para fazer frente aos problemas é a falta de recursos. Outra causa é a alta rotatividade dos secretários de saúde nos cargos de gestão, o que impede a adoção de políticas de longo prazo. A cada mês, em média 250 cidades – 4,5% dos municípios brasileiros – trocam o responsável pela área de saúde.

Entre os estados com redução de estabelecimentos de saúde em 2019, o saldo é de 17 hospitais e 30 unidades básicas de saúde a menos em relação a janeiro. Além desses equipamentos maiores, houve redução na oferta de unidades móveis, consultórios especializados e laboratórios, entre outros serviços.

“Vivemos crise sobre crise e isso ocorre em um momento no qual a população aumenta e os problemas de saúde se tornam mais complexos. Fatores como o não pagamento de pessoal e fornecedores, bem como o desmonte das secretarias de saúde, agravam a situação”, resume a médica e professora da UFRJ Ligia Bahia.

Outro fator que explica a crise na saúde pública do país é a falta de compromisso na gestão. No Rio de Janeiro, por exemplo, segundo denúncia da Defensoria e do Ministério Público do Estado, a administração municipal deixou de investir R$ 2,2 bilhões na saúde desde o início da gestão de Marcelo Crivella, em 2017, e quase R$ 1 bilhão referente a redução, bloqueio e remanejamento indevido só este ano.

Para agravar o quadro, no início da gestão, Crivella acabou com 239 equipes de saúde da família, provocando a demissão de 2.500 profissionais vinculados às Organizações Sociais – OS’s e deixando milhares de pessoas sem atendimento na rede municipal. Ao fazer isso, a prefeitura acabou superlotando ainda mais as UPAs e hospitais, elevando o gasto público e consumindo qualquer dinheiro que tenha sido “economizado” com esta medida.

A má gestão do prefeito do Rio afetou mais de 20 mil funcionários, que estavam com os salários atrasados. Cerca de 5.000 deles são agentes de saúde e técnicos e auxiliares de enfermagem. Além de não receberem os salários em dia, os profissionais convivem diariamente com a rede de unidades de saúde – como hospitais, clínicas da família, ambulatórios e centros de atenção psicossocial – completamente sucateada, na qual tornou-se crônica a falta de medicamentos e materiais necessários à realização dos mais variados exames.

Fotos: Arquivo WhatsApp

Acorrentado – Para tentar defender seus direitos, em dezembro, o técnico de enfermagem André Luiz Prazeres Almeida se acorrentou por 25 horas na entrada do Hospital municipal Albert Schweitzer, em Realengo, na Zona Oeste. Na ocasião, ele falou que os funcionários estavam há meses sem receber e sem estrutura básica para realizar atendimento.

Por tomar iniciativa de exigir os seus direitos básicos de sobrevivência, Almeida foi demitido após divulgar as péssimas condições da unidade. Dias depois, o Sindicato dos Auxiliares e Técnicos de Enfermagem do Rio de Janeiro – Satemrj, conseguiu que Almeida fosse readmitido.

Infelizmente, porém, André Luiz sofreu represálias ao retornar ao trabalho. Foi posto à margem, foi impedido de trabalhar na emergência e foi demitido novamente ontem, 14, por continuar lutando por seus direitos. “De manhã, cobrei dos gestores do hospital para que se cumprisse o dimensionamento. Pois os enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem estão com sobrecarga de trabalho, estamos ficando doentes. Na parte da tarde, fui informado da minha demissão. Eles não informaram o motivo da dispensa, mas sei que foi por eu continuar cobrando nossos direitos. Previstos em lei”, afirmou o técnico de enfermagem.

Fonte: Com O Globo, Satemrj e G1
CNTS

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