Condenação de Lula movimenta cenário das eleições

A condenação unânime do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex em Guarujá pelos três desembargadores da 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região – TRF-4 marca um divisor de água para as eleições gerais deste ano. Já que o caminho para Lula disputar a presidência ficou ainda mais espinhoso com a pena de 12 anos e 1 mês no regime fechado, que pode levar à impugnação do registro de sua provável candidatura ao Planalto.

O fato de não haver qualquer divergência entre os magistrados não era esperado pelos petistas. Do ponto de vista jurídico, isso diminui as possibilidades de recursos. Com uma condenação em segunda instância, em tese, Lula se enquadraria como “ficha suja” e poderia ter a candidatura barrada pela Lei da Ficha Limpa, que ele mesmo sancionou em 2010.

Sob o petista agora pairam duas sombras: a da inelegibilidade –impossibilidade de ser eleito – e uma possível – mas ainda longe de ser uma possibilidade imediata – prisão, o que pode colocar as eleições de 2018 em clima de insegurança jurídica e política. Seja como for, uma grande novela ainda está por vir. E até que o Supremo Tribunal Federal ou o TSE – Tribunal Superior Eleitoral, as últimas instâncias possíveis, declarem que ele é inelegível, ele pode continuar a fazer campanha.

Segundo especialistas, a condenação ao ex-presidente também muda o cenário político, pois a decisão pode abrir espaço para candidatos que tinham no petista uma grande ameaça, já que mesmo fora de cargo público há 11 anos, Lula liderava as intenções de voto para presidente em 2018 e venceria em todos os cenários, segundo o Datafolha.

Se Lula for impedido de disputar a Presidência, é possível que cresça um candidato progressista disposto a continuar combatendo a corrupção. O que poderia gerar medo na direita como nomes da ecologista Marina Silva, do ultradireitista Jair Bolsonaro, do ex-ministro Joaquim Barbosa, de Ciro Gomes e até mesmo o apresentador Luciano Huck. Já que esses candidatos alternativos à Lula não parecem dispostos a acabar com a Lava Jato. Bolsonaro já anunciou que, se ganhar, designará o juiz Sérgio Moro para o Supremo. Um presidente progressista tornaria complicada a vida de políticos da direita incriminados pela Justiça que sonham com uma anistia geral. 

Articulação – Outro aspecto importante da condenação de Lula é a articulação dos partidos para as eleições deste ano. Muitos partidos cogitavam repetir aliança com o PT. Lula até chegou a dizer que iria “perdoar golpistas” – ou seja, poderia se reaproximar de partidos que apoiaram o impeachment de Dilma Roussef. Agora, esse movimento não existe mais.

Ainda que a estratégia do PT seja insistir na candidatura do ex-presidente, que lançou a pré-candidatura de Lula nesta quinta-feira, 25, a condenação em segunda instância o enquadra na Lei da Ficha Limpa e põe em risco sua candidatura e do próprio partido.

Ainda segundo analistas políticos, outros partidos do centro dificilmente vão amarrar seus destinos ao de Lula. Seria um risco muito grande. Mais do que isso: lideranças do PMDB se aproximavam de Lula, como Renan Calheiros, Eunício Oliveira, Jader Barbalho e outros. Depois da condenação, eles terão de esperar para saber até quando Lula poderá fazer campanha, e se poderá. Além da possibilidade de serem condenados.

A leitura de políticos de centro é a de que a saída de Lula da disputa afeta as pretensões de Bolsonaro. “As forças políticas vão se acomodar à nova realidade, o que significaria um centro fortalecido em detrimento de candidaturas mais radicais. Não haveria espaço para “outsiders” na corrida presidencial. Jair Bolsonaro, por exemplo, ficaria enfraquecido”, avaliou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em entrevista ao Valor Econômico.

Ao mesmo tempo, sem Lula, os partidos de esquerda buscarão seus espaços e o resultado deve ser uma pulverização de candidaturas: Marina Silva, da Rede; Boulos ou Plínio de Arruda Sampaio Júnior pelo PSOL; Ciro Gomes pelo PDT; além de um candidato do PSB, que pode ser Joaquim Barbosa. Até mesmo uma possível aliança entre os partidos de esquerda não está descartada.

Ainda nesta leitura, o espaço da direita fica aberto tanto para Alckmin, como um candidato “da política”; Rodrigo Maia, na tentativa de ser um nome novo, mas sem muito fôlego para levar adiante esse papel; e se for alguém de fora da política, Luciano Huck que, mesmo depois de ter divulgado artigo saindo da disputa, “só pensa nisso”, segundo político que tem conversado com ele. (Com Valor Econômico, El País, G1 e Correio Braziliense)






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