Com orçamento apertado para emendas, nova denúncia da PGR fragiliza governo

A nova denúncia contra o presidente Michel Temer ainda não foi apresentada pelo Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, mas já causa barulho no Congresso Nacional. Desde que conseguiu se safar da primeira acusação apresentada por Janot, o peemedebista não conseguiu reorganizar sua base aliada, que já admite a possibilidade de um cenário desfavorável ao presidente. Com previsão de ser apresentada na próxima quarta-feira, 6, a denúncia da PGR deve indiciar Temer por obstrução de justiça e organização criminosa.

Se, na primeira vez, o governo lançou mão da liberação de verbas para convencer deputados de que valia a pena votar para manter Temer, esse recurso agora já não está mais tão disponível. O Planalto já gastou grande parte da cota de emendas para acalmar os parlamentares. Eles reclamam que foram feitas promessas vãs de melhor tratamento. As principais reclamações são sobre Imbassahy e Moreira Franco, secretário-geral.

Para se manter no poder, Temer pagou cerca de R$ 4,5 bilhões a mais em emendas parlamentares do que sua antecessora, Dilma Rousseff. Nos últimos 12 meses de governo da petista foram desembolsados R$188,9 milhões para atender a demandas dos políticos das duas Casas. Em comparação, nos primeiros 12 meses de governo Temer, o valor chegou a R$4,7 bilhões, cerca de 25 vezes mais do que no mesmo período de gestão anterior.

Temer demonstra bilionária e indiscriminada generosidade, mas isso não tem sido suficiente para garantir a fidelidade da maioria; e a vitória apertada na votação sobre a primeira denúncia apresentada pela PGR é o sinal cabalístico disso. Não à toa, nas vésperas da segunda denúncia chegar à Câmara, ele já começou a dança das cadeiras nos cargos conhecidos como “cabides eleitorais”.

E a tensão da base começou em julho, quando PMDB e DEM começaram a disputar parlamentares dissidentes do PSB. Se o grupo de deputados descontentes sair da legenda, o DEM pode se tornar a quinta maior bancada da Câmara – atrás apenas de PMDB, PT, PP e PSDB. Hoje, a bancada tem 30 parlamentares e pode chegar a 40. À época, quando percebeu o assédio do DEM para inflar sua bancada, Temer foi à casa da líder do PSB, Tereza Cristina (MS), para oferecer o PMDB como legenda para receber os cerca de 15 insatisfeitos do partido.

O último capítulo da tensão entre os partidos aconteceu, dia 31, quando o líder do governo no Senado, Romero Jucá, anunciou que o PMDB receberia o senador Fernando Bezerra Coelho (PSB/PE) e o filho dele, o ministro Fernando Bezerra Coelho Filho (Minas e Energia).  O partido do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, pretende revidar a ação do partido de Michel Temer. O líder da bancada dos Democratas na Câmara Efraim Filho (PB) garantiu que “terá troco”. “Nossa relação fica extremamente fragilizada. Não é assim não”, afirmou o deputado.

Delação – A conclusão da denúncia contra o presidente ainda depende da inclusão das acusações feitas pelo operador Lúcio Funaro, que na semana passada assinou acordo de delação premiada com a PGR. Haverá uma leva de denúncias contra peemedebistas e integrantes do governo, como os ministros Eliseu Padilha, da Casa Civil, e Moreira Franco, da Secretaria Geral da Presidência da República.

(Com Folha, Estadão, The Intercept, O Globo, Valor Econômico e G1)





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