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CNTS repudia pronunciamento do presidente Bolsonaro

Nota de Repúdio

A Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde – CNTS condena e repudia veementemente o pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro ao minimizar os riscos do coronavírus, que já matou mais de 17.000 pessoas pelo mundo e 48 no Brasil, e ao se lançar contra a mídia, prefeitos e governadores. E contra as próprias evidências científicas.

Ontem, 24, o povo brasileiro assistiu estarrecido cinco minutos de delírio, insensatez e desinformação por parte da autoridade que deveria ser responsável e comprometida com a vida e a saúde da sua população.

Bolsonaro menosprezou a gravidade da doença, chamando-a arrogantemente de “gripezinha” e “resfriadinho”. Culpou a imprensa de “espalhar a sensação de pavor”, apesar de ser graças a ela que a população está sendo alertada sobre os riscos de contaminação e formas de prevenção. Atacou governadores que estão organizando ações de contenção ao vírus, criticando o fechamento de escolas e do comércio. Conclamou os cidadãos a “voltar à normalidade”, saindo do isolamento social, o que é uma forma comprovada de retardar a propagação da Covid-19. Estas medidas de isolamento são cruciais e foram encaminhadas com muito esforço pelas autoridades municipais e estaduais, foram implementadas por técnicos e profissionais de saúde, os quais vêm expondo suas vidas para salvar pessoas.

Concordamos com o presidente quando elogia o trabalho dos profissionais de saúde, que estão na linha de frente para o atendimento da população vítima deste vírus. Porém, só elogiar não basta. Exigimos que estes trabalhadores recebam toda a capacitação adequada para o atendimento, além de proteção e segurança necessárias para o bom desempenho de suas funções. Não é possível deter esta pandemia sem proteger primeiro os trabalhadores da saúde.

Por esta razão, a CNTS encaminhou manifesto ao Ministério da Saúde, às Secretarias Estaduais de Saúde, aos Conselhos de Saúde e às instituições públicas e privadas de saúde, cobrando medidas necessárias para o apoio, proteção e segurança de milhões de profissionais da saúde destacados para o atendimento da população. Inclusive, a Confederação solicitou ao Ministério Público do Trabalho – MPT intermediação no sentido de garantir o fornecimento de EPIs a todos os trabalhadores da área da saúde, independente do seu local de atividade. Visto que a CNTS tem recebido inúmeras denúncias de estabelecimentos de saúde que não estão oferecendo os equipamentos para os profissionais que estão atuando no combate ao coronavírus.

A CNTS entende que existe um perigo próximo, evidente, real e gravíssimo. Enfrentá-lo é prioritário. Relatórios da Abin, a agência de inteligência do governo federal, deixam claro o impacto da doença no Brasil. O mais recente deles projeta que 5.571 brasileiros deverão morrer por Covid-19 até 6 de abril – ou seja, em duas semanas. A falta de coordenação na construção de uma estratégia nacional pode nos levar ao colapso. Não é o momento de o presidente da República perder tempo com brigas políticas e teorias da conspiração. Precisamos de união e liderança firme, antes que seja tarde demais.

CNTS

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