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Foto: Alex Pazuello/Semcom-AM

Cientistas recomendam lockdown em vários estados do país

Coronavírus

Distanciamento social mais severo é a única medida, no momento, para evitar um número maior de mortes por Covid-19. Mais de 80% dos leitos de UTI estão ocupados nos 5 estados com mais casos da doença. Sistemas de saúde do Ceará, Pernambuco e Amazonas estão à beira do colapso.

Diante da escalada da Covid-19 no país, cientistas estão recomendando a adoção de medidas mais severas para impedir a circulação de pessoas pelas ruas de estados e cidades onde o sistema de saúde está ameaçado de colapso. A Fundação Oswaldo Cruz – Fiocruz recomendou a implantação urgente do lockdown no Estado do Rio. A iniciativa, segundo a instituição de pesquisa, é para evitar “catástrofe humana de proporções inimagináveis para um país com a dimensão do Brasil”.

O Comitê Científico do Consórcio do Nordeste também reforçou essa estratégia para os estados da região que estejam com ocupação de leitos superior a 80% e curva ascendente de casos. Cidades como Belém (PA), Fortaleza (CE) e São Luís (MA) adotaram medidas de limitação de pessoas nas ruas esta semana.  Em Pernambuco, a Justiça rejeitou pedido do Ministério Público para adotar maiores restrições. O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), disse que o confinamento compulsório ainda não está em seus planos, mas não descartou a possibilidade:

“A prefeitura tem, em cima da mesa, várias opções de ação. Estamos buscando aquelas que não restrinjam ainda mais a atividade econômica. Mas, quando eles (a Secretaria de Saúde) acharem ser necessário, nós faremos”, afirmou.

O ministro da Saúde, Nelson Teich, admitiu ontem, 6, que haverá situações em que a recomendação será para o lockdown. Segundo ele, as novas diretrizes do Ministério da Saúde sobre as políticas de isolamento que devem ser usadas no país estão prontas, mas que o órgão estuda o melhor momento para divulgá-las. Ele afirmou que deverá pedir aos integrantes do Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde – Conass que revisem o plano. “Vai ter lugar em que vamos recomendar lockdown, e vai ter lugar que vai permitir fazer outras coisas”, afirmou o ministro.

Relatório divulgado ontem pelo comitê do Nordeste, comandado pelo neurocientista Miguel Nicolelis e pelo ex-ministro Sérgio Rezende, afirma que “o lockdown é eficaz para reduzir a curva de casos e dar tempo para a reorganização do sistema de saúde”. O documento lembra que países que implementaram a medida conseguiram sair com rapidez do momento mais crítico da pandemia.

Sistemas de saúde à beira do colapso – Em meio ao crescimento de vítimas fatais, as condições da rede pública de saúde dos cinco estados que concentram o maior número de casos do coronavírus no Brasil é crítica.

Com altas taxas de ocupação dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva para Covid-19, São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará, Pernambuco e Amazonas podem rapidamente chegar ao limite máximo da capacidade de atendimento.

Isso significa que, nos próximos dias, a depender da curva de contaminação, pacientes que manifestarem os sintomas mais graves da doença respiratória podem não ter o socorro necessário, aumentando ainda mais o número.

As condições do sistema de saúde no Ceará e em Pernambuco, que estão respectivamente em terceiro e quarto lugar entre os estados com mais casos do coronavírus, são as mais graves.

Conforme boletim da secretaria de saúde pernambucana, por exemplo, a rede pública do estado teria, ao todo, 888 leitos para pacientes com Síndrome Respiratória Aguda Grave – SRAG, que incluem casos suspeitos e confirmados da Covid-19.

A taxa atual de ocupação total é de 93%, e, para as UTIs, o índice chega a 99%. A superlotação acontece em um momento que o Estado registra 9.881 casos confirmados e 803 óbitos.

Já no Ceará, a taxa de ocupação de leitos de UTI para covid-19 gestionadas pelo governo era de 96% na região de Fortaleza e 93% em todo o estado, com o total de 11.470 pessoas infectadas pela doença e 795 mortes, segundo informações divulgadas na terça-feira, 5. Fortaleza concentra o maior número de casos e mortes confirmadas, com 8.509 pessoas infectadas e 806 óbitos.  A meta do governo estadual é abrir 100 leitos de UTI na capital até o final desta semana.

Segundo Raimundo José Arruda Bastos, ex-secretário de saúde do Ceará, “não há outra solução viável” para combater a pandemia se não o chamado lockdown, bloqueio total dos serviços não essenciais, para frear a curva de contaminação. “Existem pessoas que estão falecendo nas UPAs e às vezes até em casa por falta dos respiradores. As duas semanas que vem agora serão de grande dificuldade. Se os respiradores prometidos pelo Ministério não chegarem para que se transformem leitos de menor complexidade em leitos de maior complexidade, vamos ter grande dificuldade para internar as pessoas”.

No Amazonas, localizado na região Norte, o cenário trágico se repete. Entre segunda e terça-feira, o estado registrou o maior número de casos e mortes pelo coronavírus confirmados em um único dia desde o início da pandemia. De acordo com boletim epidemiológico da Fundação de Vigilância em Saúde foram contabilizados mais 867 casos e 65 óbitos em apenas 24 horas.

Agora, o estado totaliza 8.109 casos confirmados da doença e é o 5º com maior quantidade de pessoas contaminadas em todo país. O número de mortes chega a 649.

Com exponencial crescimento da curva de contaminação, José Bernardes, presidente do Conselho Regional de Medicina do Amazonas – Cremam, assegura que a lotação das UTIs para a Covid-19 é de praticamente 100% no Estado. “Quem entra na UTI teoricamente tem chance de 50% de sobrevida. Acontece que muitos deles não têm nem essa chance de entrar na UTI. Isso que é o pior. O indivíduo morre por não ter sido atendido na terapia intensiva”, lamentou.

Epicentro – Em São Paulo, estado com maior número de casos, são 34.053 pessoas infectadas e 2.851 mortes registradas. De acordo informações da Secretaria de Saúde do Estado, a taxa de ocupação dos leitos de UTI reservados para atendimento à Covid-19 era de 86,9% na Grande São Paulo. Em nível municipal, a taxa de ocupação geral das UTIs era de 87%.

Em entrevista ao Brasil de Fato no início da semana, o médico infectologista Marcos Boulos, afirmou que o sistema deve chegar ao limite rapidamente. “Isso vai acontecer, porque o número em termos absolutos continua aumentando bastante. Provavelmente nós colapsaremos em termos de falta de leitos de UTI, principalmente. Isso vai acontecer e não deve demorar muito”.

Na última sexta-feira, 1, o prefeito Bruno Covas sancionou uma lei que estabelece um conjunto de medidas de proteção da saúde pública e de assistência social que visam o combate ao coronavírus. Entre as medidas está a autorização para requerer ao SUS municipal leitos hospitalares da rede privada.

A medida já foi adotada por Camilo Santana, governador do Ceará, que adquiriu dois hospitais da rede de saúde privada para atender exclusivamente pacientes da Covid-19.

A situação do Rio de Janeiro, segundo estado com mais casos, também é delicada. No início da semana, por exemplo, 98% das vagas de UTI para tratamento das vítimas do coronavírus estavam ocupadas.

Na capital, não havia mais leitos nas unidades municipais, enquanto 399 pacientes com sintomas ou confirmados aguardavam vagas para transferência. São 12.391 casos confirmados e 1.123 óbitos por coronavírus em todo o Estado. A taxa de ocupação em leitos de UTI é de 84% até ontem, 6.

Fonte: Com O Globo e Rede Brasil Atual
CNTS

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