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Foto: Bruno Cecim/Ag.Pará

Brasil chega a 984 mil infectados pela Covid e corre risco de falta de medicamentos

Saúde

Conass relata falta de medicamento para sedar e entubar pacientes com coronavírus. Sem esses remédios, a ventilação mecânica não pode ser feita de forma adequada e o internado corre maior risco de morrer.

Além da dificuldade de ampliar o número de leitos de UTI e de respiradores, Estados brasileiros enfrentam agora a falta de sedativos e relaxantes musculares usados na entubação de pacientes graves com Covid-19. Sem esses remédios, a ventilação mecânica não pode ser feita de forma adequada e o paciente corre maior risco de morrer.

Segundo o Conselho Nacional de Secretários de Saúde – Conass, todas as secretarias estaduais relataram à entidade ter um ou mais medicamentos dessa classe em falta ou com estoque crítico. Já há investigações abertas em ao menos dois Estados – Rio e Amapá – para apurar óbitos de pacientes que não tiveram acesso a essas medicações.

Segundo a pesquisa da entidade, mais da metade das secretarias estão com falta de pelo menos 11 dos 13 medicamentos com desabastecimento relatado. Na lista, há medicamentos sedativos, anestésicos e bloqueadores neuromusculares utilizados na instituição da intubação orotraqueal.

Com a alta inesperada na demanda, dificuldade de importação de matérias-primas e alta do dólar, o mercado nacional não estaria conseguindo suprir a procura, dizem gestores. Secretarias da Saúde informaram alta de mais de 700% na utilização desses medicamentos desde o início da pandemia. Em Alagoas, o número de doses utilizadas do relaxante muscular rocurônio subiu 787%. No Rio Grande do Norte, o aumento na utilização de anestésicos e betabloqueadores foi de 200%. No Pará, a alta foi de 100%.

O rocurônio é o que reúne o maior número de queixas de problemas no abastecimento. Levantamento feito pelo Conass com todas as secretarias da Saúde revelou que, das 25 pastas que responderam ao questionário, 24 têm problemas no abastecimento do item.

O Conass relatou que o órgão mandou ofício para o Ministério da Saúde no dia 14 de maio solicitando auxílio do governo federal aos Estados na relação com fornecedores. O problema foi tema de novo ofício, enviado no dia 29. Hoje, a maioria desses medicamentos é comprada diretamente pelos Estados e municípios ou pelos hospitais, mas as secretarias avaliam que uma intervenção do ministério junto à Anvisa e aos fabricantes pode facilitar a compra.

O Ministério da Saúde anunciou que vai organizar licitação para aquisição dos medicamentos com fornecedores nacionais. A pasta não fará a compra dos produtos, no entanto, vai apenas gerenciar o processo. Ficará a cargo dos estados e municípios adquirir os remédios.

Segundo representantes do Ministério da Saúde, uma portaria liberará R$ 9,7 milhões para apoio, gestão, planejamento e monitoramento das ações de enfrentamento à pandemia nos estados. Estados com mais de 200 municípios poderão receber até R$ 500 mil, enquanto aqueles com menos de 200 municípios poderão ganhar até R$ 275 mil.

Brasil tem quase um milhão de infectados – Dados do consórcio de veículos de imprensa formado por Estadão, G1, O Globo, Extra, Folha e UOL revelam que o Brasil registrou 984.315 casos de Covid-19. O número de novas confirmações, atualizado na quinta-feira, 19, 23.050. Os óbitos registrados em 24 horas alcançaram 1.204. É o terceiro dia consecutivo em que as confirmações de mortes ficam acima do patamar de 1.200.

Até agora, 47.897 brasileiros morreram por causa da doença. Resultado que coloca o país em segundo lugar entre os que mais registram casos fatais da enfermidade no mundo todo. Nesse cenário, o país se afasta cada vez mais de nações que passaram por situações críticas e conseguiram diminuir a circulação da doença após a implementação de medidas de isolamento social, como Itália, Espanha e Reino Unido.

No início do mês, o Brasil ocupava o quarto lugar no ranking mundial. Em 4 de junho, se tornou o terceiro após superar a Itália, que foi um dos principais epicentros na Europa da crise sanitária e um dos cenários mais dramáticos da pandemia até então.

Em números absolutos, o estado de São Paulo lidera o ranking de óbitos, com 11.846 registros, seguido pelo Rio de Janeiro (8.412), Ceará (5.377), Pará (4.395) e Pernambuco (4.057).

Ontem o governo apontou preocupação com o aumento de casos e internações no interior do país. A ocupação de leitos de UTI em Campinas e Piracicaba, por exemplo, subiu 104% e 127% respectivamente nos últimos sete dias. Nas duas regiões, está autorizada a abertura de shoppings, comércio de rua, escritórios e concessionárias.

A taxa de letalidade no país é de 4,9%. Os estados do Rio de Janeiro e de Pernambuco seguem com índices significativamente acima dessa média, com 9,6% e 8,3%, respectivamente.

Fonte: Com Estadão, O Globo e Folha de S.Paulo
CNTS

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