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Foto: Alan Santos/PR

Bolsonaro é listado como fracasso em relatório da ONU

Brasil

Levantamento sobre o impacto das mudanças climáticas na parcela mais pobre da população mundial coloca o presidente brasileiro como lideranças fracassadas.

O caos na política, os escândalos de corrupção, os abusos de autoridade já mancham a imagem do Brasil no exterior, mas o nosso vexame ficou ainda maior após o Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas classificar o presidente da República, Jair Bolsonaro, como líder do ranking de lideranças fracassadas no que diz respeito a mudanças climáticas. “No Brasil, o presidente Bolsonaro prometeu abrir a Floresta Amazônica para a mineração, acabar com a demarcação de terras indígenas e enfraquecer as agências e proteção ambientais”, criticou o relator especial da ONU, Philip Alston.

Dez anos depois do ex-presidente americano, Barack Obama, dizer que o ex-presidente Luíz Inácio Lula da Silva era o cara, durante o encontro das 20 maiores economias do mundo, a situação do Brasil frente aos países do G20 mudou. E muito. Tanto que a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, descreveu como dramática a situação do Brasil sob o governo Jair Bolsonaro.

Em sessão no Parlamento alemão, Merkel foi questionada pela deputada do Partido Verde, Anja Hajduk, se o governo alemão deveria seguir investindo nas negociações de livre-comércio entre União Europeia e Mercosul, no momento em que ambientalistas, cientistas e defensores dos direitos humanos denunciam o desrespeito a essas frentes no Brasil. “Vejo com grande preocupação a questão da atuação do novo governo brasileiro”, disse Merkel, afirmando que a reunião do G20 será uma oportunidade para tratar do assunto.

A comandante da maior economia da Europa, no entanto, diz que a hipótese de a União Europeia não levar adiante um acordo com o Mercosul – lembrando que outros países estão envolvidos – não fará com que um hectare a menos de floresta seja derrubado no Brasil. “Eu vou fazer o que for possível, dentro das minhas forças, para que o que acontece no Brasil não aconteça mais”.

Ao ser questionado sobre a declaração da chanceler alemã, Bolsonaro disse que a Alemanha tem “muito a aprender” com o Brasil. “Temos exemplo para dar à Alemanha, inclusive sobre meio ambiente. A indústria deles continua sendo fóssil, em grande parte de carvão, e a nossa não. Eles têm a aprender muito conosco”, afirmou Bolsonaro.

O capitão passou por constrangimentos também quando o Museu de História Natural de Nova York, que hospedaria evento que premiaria Bolsonaro como a “Personalidade do Ano” pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, voltou atrás e cancelou a homenagem ao presidente, devido às suas posições sobre o meio ambiente, o desenvolvimento sustentável e as mudanças climáticas – que vão na contramão daquilo que é defendido pela instituição e pelo bom senso.

A política do governo Bolsonaro para o ambiente é alvo de críticas constantes entre os países europeus. Em carta publicada na revista Science, em abril, mais de 600 cientistas da Europa e 300 indígenas reivindicam que a União Europeia vincule importações do Brasil à proteção do meio ambiente e dos direitos humanos.

Bolsonaro vem tentando mudar o Código Florestal para afrouxar ainda mais as regras ambientais; reduziu a participação da sociedade civil em conselhos dessa área; criou uma instância para conciliação de multas, o que reduz a pressão para evitar danos ao meio ambiente; abriu a porteira dos agrotóxicos, autorizando dezenas sem que fossem feitas análises consistentes do impacto das interações entre eles para o meio e as pessoas; e criou entraves para o combate ao desmatamento.

A expansão das atividades agrícolas no Brasil, apoiado pelo governo do presidente Bolsonaro, gera desmatamento causando crescentes conflitos com comunidades tradicionais. Esta situação fez com que 340 ONGs europeias e sul-americanas, incluindo o Greenpeace, pedissem que os líderes mundiais questionassem o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. A conclusão do acordo é iminente, segundo os presidentes do Brasil e da Argentina, após 20 anos de negociações. As ONGs exigem “medidas rigorosas” contra o desmatamento e “compromissos” em favor do acordo climático de Paris.

Fonte: Com El País, O Globo, Rede Brasil Atual, UOL e Carta Capital
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