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Foto: Reprodução

Bolsonaro acena com fim do 13º, férias, FGTS e seguro desemprego

Política

Presidente eleito diz que legislação está 'engessada' no artigo sétimo da Constituição, que trata dos direitos dos trabalhadores urbanos e rurais. Ameaça havia sido feita na campanha pelo vice, Hamilton Mourão.

Já não basta a ampliação do trabalho autônomo, intermitente, temporário e terceirizado por conta da reforma trabalhista, que reduziu a remuneração e direitos, o presidente eleito, Jair Bolsonaro, pretende mudar a nova legislação trabalhista para aproximá-la da informalidade. Durante reunião na quarta-feira, 12, com deputados do DEM, o futuro chefe do Executivo afirmou que o grande entrave das leis trabalhistas está no sétimo artigo da Constituição Federal. “No que for possível, sei que está engessado o artigo sétimo, mas tem que aproximar da informalidade”, disse. O artigo sétimo trata das garantias de direitos dos trabalhadores. Ou seja, férias, 13º salário, seguro desemprego, fundo de garantia, entre outros.

A informalidade atingiu 43% dos trabalhadores brasileiros no fim de setembro, o maior patamar trimestral registrado pela Pnad Contínua – Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios desde que o levantamento começou a separar trabalhadores por conta própria com e sem CNPJ, no fim de 2015. O total dos trabalhadores sem direito a aposentadoria, fundo de garantia, férias e 13º salário chegou a 39,7 milhões de pessoas.

Bolsonaro também já tinha defendido aprofundamento da reforma trabalhista em seu governo, com medidas mais favoráveis aos empregadores para estimular novas contratações. A ideia também foi apresentada a parlamentares do MDB e do PRB. “Nós temos direitos demais e empregos de menos, tem que chegar a um equilíbrio. A reforma aprovada há pouco tempo já deu uma certa tranquilidade, um certo alívio ao empregador e repito o que falei ontem: é difícil ser patrão no Brasil”, reforçou.

Otávio Pinto e Silva, professor de direito do trabalho da Universidade de São Paulo, afirmou que é cabível ter diversificação entre diferentes contratantes no Brasil, desde que isso não altere parâmetros que garantam um patamar civilizatório mínimo. “Garantir tratamento legal diferente entre grandes empresas e microempreendedores é uma opção viável. Não é adequado que a flexibilização venha a partir da supressão de direitos”, disse. Para ele, o problema do Brasil não está no direito trabalhista, mas na tributação, com os altos encargos inerentes a um contrato formal.

O tesoureiro-geral da CNTS, Adair Vassoler, ressalta que não faltaram avisos do movimento sindical e social de que a reforma traria prejuízos para os trabalhadores e de que esse futuro governo causaria ainda mais prejuízos aos brasileiros. “Em pouco tempo de vigência, a famigerada reforma já mostrou a que veio, destruir empregos e precarizar o mercado de trabalho. E essa proposta do presidente eleito fere em dobro o que já foi feito pelo governo Temer. Acabar com FGTS, férias e 13º salário significa retirar 30% da renda anual do cidadão. A informalidade não é a saída, é absurda essa proposta! Teremos aumento ainda mais elevado da pobreza no país. Vamos lutar para barrar essa proposta e outras que prejudiquem os brasileiros, mas sabemos que enfretamento para barrar essa medida no Congresso Nacional será muito árduo”, afirma.

MPT – Bolsonaro também criticou a atuação do Ministério Público do Trabalho – MPT. “Pelo amor de Deus, se tiver clima a gente resolve esse problema. Não dá mais para continuar – quem produz sendo vítimas de ações de uma minoria, mas de uma minoria atuante. E lá não tem hierarquia, não é batalhão de infantaria, que tem um comandante que vai lá e cumpre ordem, cada um faz o que bem entende”, afirmou.

“A Lei 13.467/2017 se mostrava uma solução para a informalidade, mas verificamos o oposto 12 meses depois. De 2017 a 2018, houve a criação de 1 milhão de novos postos informais, chegando a mais de 39 milhões. Não me parece um bom caminho”, disse Guilherme Feliciano, presidente da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho – Anamatra.

Fonte: Com informações de Folha de São Paulo e Estado de Minas
CNTS

11 opiniões sobre “Bolsonaro acena com fim do 13º, férias, FGTS e seguro desemprego

  • Fábio Doniseti França

    È óbvio que esse sociopata não tem o menor preparo para comandar País, sò o fato de comparação de um sindicato com um quartel deixa isso bem claro, totalmente arbitrária e contraproducente!

  • Aparecida Rosária

    O QUE PODERÁ AUMENTAR COM ESSA MUDANÇA ,SÃO EMPREGOS DOMESTICOS , ONDE OS PATRÕES DEMITIRAM MUITO DEVIDO AOS CUSTOS ALTISSIMOS
    E TAMBÉM QUEM JÁ SE APOSSENTOU VAI PARA CASA E NÃO FICA TIRANDO DOS JOVENS né ????

  • Mariangela Contente

    Gente, novas contratações pra quê? Pra não morrer de fome? Pra agradecer pelo “benefício” de se ganhar um salário de fome e sequer poder comprar um remédio pra sua inevitável artrose, pra sua arritmia, pra sua pressão alterada e outras coisas mais ao chegar na 3a idade? Cansada desse país egocêntrico, desse país em que só ladrões tem privilégios (ladrões legais e ilegais), desse país onde assassinos, assaltantes de trens pagadores, terroristas, neo-nazistas, entre outros, tem vida de marajás e outras coisas absurdas. Ah! Se eu pudesse! Ah! Se eu pertencesse a esse não seleto grupo de marginais (seletos são os de caráter), estaria há muito tempo em outro país, em qq outro, onde a decência ainda consegue prevalecer. Que infelicidade, sermos de um dos mais lindos lugares do planeta e redutos dos piores espécimes humanos concentrados em um lugar só!

  • eliane regina

    Poderá vir algo bom deste energúmeno.

  • Gabriel Magalhães

    Excelente artigo. Lembrando que a reforma trabalhista não gerou sequer um único emprego. A reforma previdenciária caminha no mesmo sentido, ou seja, não trará benefício algum, somente reduzirá direitos e transformará nossa nação com massa trabalhadora chinesa.

  • Valmir

    Vocês políticos não precisam depender de Sus…. Pra cuidar da saúde.. pra viver A chegada da 3a idade. Suas aposentadorias são gordas …. Agora o pobre tem um aborno salarial … FGTS. .. uma forma de ter um dinheiro que possa salvar o orçamento .. ou fazer algo pela família. … Agora vem esses que acha que agente não e ser humano… Se fosse vocês no nosso lugar .. será que faria o mesmo?. Pois. Renda miséravel….e vem te tirar até. A rapinha…….

  • Dori

    Na verdade não ta mim agradando nada a esta reforma até pq só tô vendo desvantagem para os trabalhadores quê vergonha para o país eu na verdade já comecei a mim arrepender em ter votado para este governo tão despreparado

  • Valdeir

    Onde vamos .para .pelo amor de Deus.as roubalheira.,vem tudo de lá. Deles mesmo .es gente e paga o pato .o povo está ficando desesperado .e melhor eles tomarem muito cuidado .

  • Jose

    Desde quando a reforma da previdência será uma solução para o Brasil.
    Ele deveria reduzir o próprio salário e os salários dos deputados e senadores isso sim seria justo. Pergunta se ele quer reduzir um centavo do salario dele.Em momento algum ele falou de reduzir os próprios direitos

  • Hilson

    Esse presidente e um merda!

  • Adultos Santos

    É compreensível ,e ao mesmo tempo difícil de explicar minha colocação ,mas vamos lá . Suponhamos que a isenção de direitos meu empresse ,um irmão um pai uma mãe ,que está passando necessidade ,qual seria a decisão mais humana ?ficar com os direstos usufruindo de tudo sem olhar para o que passa fome, pela minha decisão . E se realmente fosse dessa forma? o que faria diferença entre vc eu e os políticos que assim decidiram que os seus assim

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