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Foto: Arquivo Ideme

Auxílio emergencial não cobre nem metade do valor da cesta básica, diz Dieese

Economia

A maioria dos beneficiários vai receber R$ 250 de auxílio emergencial. São R$ 8,33 por dia, pouco mais de R$ 2 para cada integrante de uma família de quatro pessoas. Considerado o valor do auxílio emergencial e uma cesta básica no valor de R$ 523,46, o benefício não compra sequer metade da cesta para uma pessoa durante o mês.

A escalada dos preços dos produtos e serviços, com destaque para os alimentos, corroeu o poder de compra dos consumidores, sobretudo, no último ano, com o avanço do coronavírus pelo país, e penaliza mais fortemente a população que ganha menos. Com isso, quem depende de benefícios sociais como o auxílio emergencial para sobreviver, mal consegue garantir o básico.

Levantamento do Dieese divulgado na quinta-feira, 8, aponta que a maioria da população que receberá R$ 250 do auxílio emergencial não dará para comprar nem metade da cesta básica, que pode custar até R$ 640. São R$ 8,33 por dia, pouco mais de R$ 2 para cada integrante de uma família de quatro pessoas.

Considerando aos valores do novo auxílio emergencial, de R$ 250, e o valor mais recente apurado pelo Dieese para a cesta básica, em Fortaleza, de R$ 523,46, o benefício não compra sequer metade, 47,7%, da cesta para uma pessoa durante o mês. O maior valor para o auxílio emergencial, de R$ 375, banca cerca de 70% da cesta.

De acordo com os cálculos do Dieese, o gasto com alimentação para uma família padrão de quatro pessoas é de R$ 1.570,38 – 6,2 vezes o valor do auxílio emergencial de R$ 250.

Segundo o Dieese, o custo médio da cesta básica caiu em 12 capitais brasileiras, entre fevereiro e março. Outras cinco capitais, no entanto, ainda registraram aumento. Além disso, nos últimos 12 meses, a inflação da cesta de alimentos teve aumento superior a 20% na maioria das capitais. A principal explicação para a recente redução, contudo, é a queda na renda das famílias. Sobretudo, diante da suspensão do auxílio emergencial, que voltou a ser pago apenas em abril, com valores ainda menores.

De acordo com a economista Patrícia Costa, supervisora de pesquisas do Dieese, a queda nos preços dos alimentos, que deveria ser comemorada, na verdade traz um alerta preocupante. “Nesse momento a população está muito empobrecida, sem renda para comer. Então começa a haver redução da demanda. Essa redução acaba impactando no nível de preços”, afirmou a economista.

A economista do Dieese destacou que as parcelas auxílio emergencial de R$ 600 pagas no ano passado foram fundamentais para a manutenção da renda das famílias. No entanto, os novos valores definidos para 2021, que variam de R$ 150 a R$ 375, são insuficientes para bancar os gastos mínimos com a alimentação. Em São Paulo, por exemplo, o valor da cesta básica ficou em R$ 626,00 em março. Portanto, o valor médio do auxílio – R$ 250 – não alcança nem a metade da cesta.

O supervisor regional do Dieese, Reginaldo Aguiar, lamenta que no momento mais crítico da pandemia o valor do auxílio emergencial tenha sofrido redução tão drástica e lembra que, no início da crise sanitária, quando foram pagos até R$ 1.200, no caso das mães chefes de família, “a envergadura da pandemia era absolutamente outra”.

Fonte: Com Diário do Nordeste, Rede Brasil Atual e G1
CNTS

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