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Foto: Reprodução

Até 132 milhões podem passar fome em 2020 por causa da pandemia, dizem agências da ONU

Mundo

Crise do novo coronavírus dificultará meta da ONU em erradicar a fome no mundo até 2030.

O mundo poderá ter mais 132 milhões de pessoas passando fome em 2020 por causa da pandemia do novo coronavírus, informou relatório sobre alimentação assinado por agências da Organização das Nações Unidas – ONU na segunda-feira, 13.

No relatório intitulado Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo 2020, os órgãos reconhecem que a crise da Covid-19 “está intensificando as vulnerabilidades e inadequações do sistema de alimentação global”. Segundo a ONU, esse sistema se representa por todas as atividades e processos de produção, distribuição e consumo de alimentos.

“Ainda que seja cedo para avaliar o impacto completo dos lockdowns e outras medidas de contenção, o relatório estima que ao menos outras 83 milhões de pessoas, e possivelmente até 132 milhões, podem passar fome em 2020 por causa da recessão causada pela Covid-19”, diz.

Em 2019, diz o relatório, havia 690 milhões de pessoas passando fome – 10 milhões a mais do que no estudo feito no ano anterior. Portanto, com a pandemia, o total nessas condições poderia passar de 800 milhões – ou seja, cerca de 10% da população mundial.

Preocupação com o futuro – Segundo a ONU, a fome vem voltando a aumentar no mundo desde 2014, ainda que vagarosamente. O dado preocupa porque a tendência reverte décadas de diminuição no número de pessoas famintas. As regiões mais preocupantes são as seguintes: Ásia – 381 milhões de pessoas passam fome; África – 250 milhões; e América Latina e Caribe – 48 milhões.

O aumento da fome no mundo serve de alerta para a ONU porque, com as pioras nos indicadores, dificilmente os países cumprirão a meta de erradicar a fome a partir de 2030. Além da pandemia, outras crises que o mundo já enfrentavam antes mesmo dos primeiros casos de Covid-19 contribuem para os dados ruins: guerras como a do Iêmen – uma das crises humanitárias mais graves deste século – pioram o cenário da fome no planeta.

Comida de verdade – O grande destaque do relatório neste ano é um alerta não só sobre a quantidade de comida ingerida, mas também sobre a qualidade. Atualmente, uma dieta saudável, variada e com os nutrientes necessários é uma realidade inalcançável para 38% da população mundial, aproximadamente três bilhões de habitantes. Cerca de 104,2 milhões dessas pessoas vivem na América Latina e Caribe.

A constatação é clara: As dietas saudáveis são inacessíveis para os mais pobres. Os órgãos internacionais apontam que os alimentos saudáveis são, em média, cinco vezes mais caros do que alimentos industrializados.

Na América Latina, o custo diário é de US$ 3,98 por pessoa, superior ao valor que uma pessoa abaixo da linha da pobreza poderia gastar – US$ 1,90 por dia. A verba necessária para arcar com uma dieta saudável também excede a despesa alimentar média na maioria dos países do chamado Sul Global. Aproximadamente 57% da população na África Subsaariana e no Sul da Ásia não têm acesso a alimentos adequados.

O documento ressalta ainda que as crianças são grandes afetadas pelo grave cenário da ausência de alimentação e oferta em má qualidade. Em 2019, 144 milhões de crianças abaixo de cinco anos foram atingidas pelo crescimento atrofiado, enquanto outras 38,3 milhões estavam com excesso de peso.

Fonte: Com G1 e El País
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