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Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil

Após acumular derrotas no Congresso, Bolsonaro muda articulação política

Política

General Luiz Eduardo Ramos, primeiro militar da ativa a assumir comando no governo, substituirá Onyx Lorenzoni, e terá que enfrentar um Congresso protagonista, as crises diárias do governo e a guerra ideológica nos ministérios.

Às vésperas da Câmara dos Deputados votar duas das principais pautas do governo, o decreto de armas e a proposta da reforma da Previdência, o presidente Jair Bolsonaro colocou um militar da ativa na articulação política. O general Luiz Eduardo Ramos, que ocupará a Secretaria de Governo, substituirá o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. O general, que só assumirá o cargo em 4 de julho, deixando a articulação do governo prejudicada, uma vez que Lorenzoni fica enfraquecido, terá a missão de acabar com as seguidas derrotas impostas pelos parlamentares e não permitir que o presidente se torne a rainha da Inglaterra, como o próprio Bolsonaro insinuou.

Depois de ver o Congresso Nacional ganhar protagonismo nesses seis meses de governo, com aprovação de matérias que ampliou o orçamento impositivo e que alterou prazos de tramitação de medidas provisórias, além dos parlamentares assumirem a condução das reformas tributária e da Previdência, o presidente reconheceu que Onyz Lorenzoni, com base política no Rio Grande do Sul, deputado federal desde 2003, não estava seduzindo deputados e senadores em votações com maiorias simples.

E mais, que futuras derrotas eram iminentes, como a expectativa de rejeição de algumas alterações no Código de Trânsito propostas pelo presidente Jair Bolsonaro, entre elas o fim da multa para quem transporta crianças sem o uso de cadeirinhas próprias. O próprio presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse acreditar que não será aprovado na Casa o trecho do projeto.

Após atritos com o parlamento por conta da “velha política”, o capitão reconheceu que o governo vem enfrentando dificuldades na articulação política com o Congresso e que deve retornar ao modelo do governo de Michel Temer. “Quando nós montamos aqui, no primeiro momento, por inexperiência nossa, tivemos algumas mudanças nas funções de cada um que não deram (sic) certo. Então, em grande parte, retornamos ao que era feito em governo anterior”, afirmou o presidente.

O novo articulador e as crises do governo – Pesa a favor do general Ramos, amigo próximo do presidente e primeiro militar da ativa a ser indicado para assumir uma posição de comando estratégico e operacional do governo, o apoio da bancada evangélica e um trânsito até mesmo com a oposição. Ramos deverá se afastar do Exército para assumir a função.

Porém, além de enfrentar um parlamento que assumiu o protagonismo político, o general Ramos ainda terá pela frente as crises diárias do governo; a guerra ideológica nos ministérios; a intromissão dos filhos do presidente; as medidas econômicas adotadas sem os resultados esperados; a queda nos índices de satisfação em relação ao presidente; e uma população sem perspectivas de melhorias no emprego, na educação e na segurança pública.

Fonte: Com UOL, O Globo, Correio Braziliense e Jornal do Brasil
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