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Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Apesar de Bolsonaro, vacinação avança e a Covid retrocede no Brasil

Pandemia

Mesmo com o presidente da República usando de mentiras para desestimular a vacinação, como tentar ligar as vacinas à transmissão de HIV, o Brasil tem mais de 55% da população imunizada com duas doses e 78% com a primeira. O que gera indicadores positivos, como a queda no número de mortos. Na última segunda-feira, 25, o país registrou oficialmente 160 mortes ligadas à Covid-19.

O Brasil registrou nesta segunda-feira, 25, 160 mortes por Covid-19 em 24 horas, segundo dados divulgados pelo Conselho Nacional de Secretários da Saúde – Conass. Também foram notificados 5.797 novos casos da doença. Mesmo com subnotificação, os indicadores gerais são positivos. A última semana foi o período com menos mortes desde abril de 2020, no segundo mês de pandemia. Foram 2.305 vítimas, patamar inferior às médias diárias de abril deste ano, durante a segunda onda. A tendência positiva, ainda que inspire cautela e que a pandemia esteja longe do fim, é reflexo direto do avanço da vacinação no país. Hoje, o país tem mais de 55% da população imunizada com duas doses e 78% com a primeira.

Os imunizantes vêm confirmando sua eficiência mesmo em relação à variante delta da Covid-19, que passou a ser dominante no Brasil. No entanto, cientistas reafirmam a necessidade de completar o ciclo vacinal para a superação da pandemia. De acordo com o Ministério da Saúde, mais de 20 milhões de brasileiros não retornaram para a dose complementar. Um dos fatores que pesam para este número elevado é o trabalho do presidente Jair Bolsonaro como aliado do vírus.

Aliado do vírus – A cada discurso, Bolsonaro se afunda ainda mais na divulgação de mentiras e desestímulo a vacinação e uso de máscaras. Na última semana, o presidente chegou a dizer usar máscara sem lavar pode causar pneumonia e matar, e chocou o país ao tentar ligar as vacinas à transmissão de HIV. Mentiras perigosas e infames, apontam cientistas, que desestimulam a vacinação. “É importante destacar que o risco desenvolver Aids é por meio da infecção com o vírus HIV, que se dá pelo contato direto com o sangue, sêmen ou fluidos vaginais de um indivíduo infectado”, destaca a neurocientista Mellanie Fontes-Dutra.

A mentira de Bolsonaro, como aponta Mellanie, é “fruto de uma manipulação de documentos, que sequer apontam isso em seu texto original. Em nenhum momento o sistema imunológico irá enfraquecer com a vacina, pelo contrário. A vacina estimula esse sistema a produzir mais defesas. A queda dessa primeira onda de anticorpos produzida é esperada e não significa perda de imunidade”, afirma.

Mentira sobre Aids – No vídeo da última quinta-feira, Bolsonaro leu um texto afirmando que vacinados com as duas doses contra a Covid-19 estariam desenvolvendo a “síndrome da imunodeficiência adquirida” – o nome oficial da aids – “mais rápido do que o previsto” e que tal conclusão era supostamente apoiada em “relatórios oficiais do governo do Reino Unido”.

No entanto, não há estudos do governo do Reino Unido que mencionam tal risco. Entidades médicas e cientistas imediatamente desmentiram o presidente em redes sociais.

Em outubro de 2020, revistas noticiaram um artigo da revista The Lancet que levantava a possibilidade de vacinas contra a Covid-19 que utilizam um vetor específico – o adenovírus do número 5 (Ad5) – de aumentarem o risco de contrair o vírus da Aids caso haja de fato uma exposição ao HIV. Elas não afirmam em nenhum momento que os imunizantes poderiam causar Aids.

Rafael Larocca, imunologista que passou anos pesquisando sobre vacinas contra o HIV e outras doenças no Centro de Virologia e Pesquisa em Vacinas da Escola de Medicina de Harvard, afirma que a possibilidade de um imunizante causar Aids é nula. “É surreal, isso não existe. Seja para Covid-19, febre amarela, gripe, sarampo ou qualquer doença, o intuito de qualquer vacina é induzir uma resposta imunológica para proteger da infecção por aquele vírus ou bactéria”.

A tecnologia de vetor viral consiste em adicionar informações genéticas do vírus da Covid-19 (Sars-Cov-2) em um outro vírus comum, um adenovírus, que geralmente causa resfriados e sintomas semelhantes aos da gripe. Nenhuma das vacinas atualmente em uso no Brasil utilizam o Ad5, mas esse é o caso da segunda dose da vacina russa Sputnik V e da chinesa CanSino. A vacina de Oxford/Astrazeneca e da Janssen também utilizam vetores virais, mas os adenovírus são outros – ChAd e Ad26.

Cuidados com a pandemia devem continuar – Apesar de desmentido mais este absurdo de Bolsonaro, os cientistas temem novas mutações da Covid-19. Este segue um risco real, em especial com ampla circulação do patógeno e razão do abandono de medidas de distanciamento e uso de máscaras. Um alerta soa no Leste Europeu, onde países, como a Rússia, vivem o pior momento da pandemia até então.

Na Inglaterra, mesmo com mais de 70% da população imunizada com duas doses, detecta-se uma tendência de crescimento do contágio. Pesquisadores daquele país concentram esforços atualmente na análise de uma mutação da variante delta, chamada informalmente de delta plus.

Trata-se da variante AY.4.2, uma das mais de 30 linhagens diferentes identificadas da delta. “Dentro do guarda-chuvas da variante delta existem dezenas de linhagens (…) O vírus segue se ramificando. São tantas ramificações, como ruas novas. Não tem um nome ainda. Esse é um processo dinâmico e constante. Não se assustem se, em alguns meses, a variante AY será dominante mundialmente. Vamos continuar monitorando. Não vai parar isso enquanto deixarmos o vírus seguir em frente”, esclarece o virologista Anderson Brito.

Fonte: Com Rede Brasil Atual e Estadão
CNTS

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