Procuradoria do Trabalho aciona Justiça contra jornada de 12 horas diurnas

O procurador do Trabalho Rodrigo Raphael de Alencar afirmou que a Procuradoria Regional do Trabalho – PRT da 19ª Região acionará a Justiça para defender os trabalhadores da Santa Casa de Misericórdia de Maceió, após representantes da unidade hospitalar afirmarem que a empresa vai manter a jornada de 12h diurnas para os auxiliares e técnicos de enfermagem. A audiência aconteceu na segunda-feira,19, na Procuradoria Regional do Trabalho.

A decisão da Procuradoria de entrar com Ação Civil Pública leva em conta que a medida fere a Constituição Federal, já que causa danos aos profissionais pela jornada sobrecarregada. A audiência contou com grande participação dos trabalhadores, que ficaram revoltados com a decisão da Santa Casa e aproveitaram a oportunidade para denunciar diversas irregularidades ao procurador.

Os profissionais relataram que descansam no chão, ao lado do expurgo do hospital, em meio a um ambiente sujo, com baratas e escorpiões. Recebem alimentação inadequada, alguns dias a refeição está azeda. Profissionais afirmaram que são obrigados a estudar os itens para atender aos requisitos da acreditação, e que aqueles que não respondem adequadamente são advertidos.

No setor de geriatria, as denúncias apontam que os profissionais estão desenvolvendo doenças laborais devido ao esforço físico por pegar peso e ter que virar os pacientes a cada duas horas. Devido a pressões psicológicas praticadas por enfermeiros, três trabalhadores estão afastados por problemas de saúde.

Um dos profissionais disse ainda que está sendo humilhado porque decidiu pedir demissão. “Já escrevi minha carta de demissão duas vezes, na última implorando ao provedor para me afastar da empresa. Vou trabalhar angustiado, depois de ficar afastado de benefício do INSS por problemas com a unidade”, relatou o técnico.

O Sateal segue acompanhando o caso de perto. Durante a audiência, o presidente, Mário Jorge Filho, chamou a atenção dos representantes da Santa Casa para as consequências danosas da medida. “Um hospital que preza por qualidade na assistência resolve massacrar os trabalhadores, é uma verdadeira contradição e as consequências dessa medida arbitrária virão, quando erros de procedimentos passarem a comprometer a vida dos pacientes”, lamentou.

O procurador também lamentou a medida da Santa Casa. “Acreditávamos que essa situação seria revertida porque os profissionais estiveram presentes em massa na primeira audiência e nós enfatizamos os danos pela sobrecarga, bem como as medidas judiciais cabíveis no caso em questão. Agora vamos para outra instância no processo”, disse Rodrigo Rafael. (Com informações Sateal)

CNTS

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