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Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Em meio a pandemia, abstenção nas eleições é a maior em 20 anos

Eleições 2020

No Rio e em Porto Alegre, um terço dos eleitores não votou; Em São Paulo, índice foi de 29% e, em mais da metade das capitais, foi superior a 25%.

Com 99,89% das urnas apuradas, o país registrou 23,14% de abstenções no primeiro turno das eleições, o maior índice para pleitos municipais dos últimos 20 anos. Nas eleições anteriores, ocorreram sucessivos aumentos nas taxas de pessoas aptas a votar que não compareceram às urnas. No pleito municipal de 2016, a abstenção foi de 17,6% no primeiro turno e no anterior, em 2012, a taxa foi de 16,9%.

Em São Paulo, com 99,67% de urnas apuradas, a taxa de abstenções é de 29,29%. Em 2016, o índice foi de 21,8% e, em 2012, 18,5%. Em disputas importantes como Rio de Janeiro e Porto Alegre, um terço dos eleitores não foram às urnas: 32,8% e 33,1%, respectivamente.

O aumento de abstenções foi registrado também em outras capitais do país. Florianópolis, por exemplo, teve 28,65% de abstenções, mais que o dobro do registrado em 2016 – 12,2%.

O aumento era esperando devido à pandemia. Nos últimos anos, esses indicadores também têm crescido e são vistos por analistas como uma evidência de desinteresse dos brasileiros pela política.

Outro perfil apontado por cientistas políticos como menos engajados são eleitores de cidades em que a disputa já está praticamente definida, com base nas pesquisas eleitorais, como em Belo Horizonte, por exemplo.

Para evitar o contágio durante a votação, o TSE elaborou um plano de segurança sanitária com especialistas da Fundação Oswaldo Cruz – Fiocruz, do Hospital Israelita Albert Einstein e do Hospital Sírio-Libanês. Entre as regras estão a obrigatoriedade do uso de máscaras, distanciamento mínimo de 1 metro entre as pessoas, com marcação de adesivos no chão, e disponibilização de álcool em gel antes e depois da votação.

Além disso, identificação biométrica foi excluída para diminuir o risco de contágio em superfícies e evitar a formação de filas e aglomerações, já que o protocolo é um dos mais demorados nas etapas de votação.

O horário de votação também foi ampliado em uma hora para evitar aglomerações e aconteceu das 7h às 17h. O TSE orientou que o horário das 7h às 10h fosse preferencial para pessoas acima de 60 anos, um dos grupos considerados de risco para a Covid-19. Eleitores com febre ou que tenham sido diagnosticados com Covid-19 nos 14 dias antes do pleito também não devem compareçam à votação. Essa é uma das justificativas que serão aceitas pela Justiça Eleitoral e precisa estar acompanhada de um atestado ou declaração médica.

Outro fator que pode ter impactado nos dados de abstenção é a falha no aplicativo e-título, usado tanto para identificar o eleitor na seção de votação quanto para saber informações sobre onde votar.

O aplicativo também pode ser usado para justificar a ausência no caso de quem estivesse fora do domicílio eleitoral em vez de ter de ir pessoalmente no dia do pleito. Até as 8h30 de ontem, cerca de 400 mil eleitores haviam justificado a ausência dessa forma. O e-título tem um serviço de localização, que identifica a distância entre a pessoa e a respectiva seção eleitoral.

Nas primeiras horas deste domingo, os eleitores relataram problemas para acessar o aplicativo. Um dos erros é que quando o eleitor tenta concluir o cadastro e aparece a seguinte mensagem: ‘Desculpe! Algo saiu errado com sua solicitação. Pedimos a gentileza de tentar acessar este serviço dentro de alguns minutos. Caso o problema persista, verifique sua conexão com a internet’.

Também há relatos de problemas na hora de justificar o voto pelo e-título. Se o motivo para não votar não for uma questão geográfica, um documento que comprove a justificativa deverá ser anexado no aplicativo.

Isso pode ser feito até 60 dias após a data do turno que a pessoa faltou. Os eleitores nessa situação que não têm o e-Título terão de preencher o formulário de Requerimento de Justificativa Eleitoral – RJE pelo site do TSE ou procurar um cartório eleitoral.

O presidente do TSE, ministro Luís Roberto Barroso, afirmou que um procedimento de segurança para evitar ataques é uma das causas para os problemas de acesso. De acordo com o magistrado, 13 milhões de aplicativos foram baixados, sendo 3 milhões entre sábado e domingo. A quantidade de acessos também impactou nas falhas.

Fonte: Com HuffPost Brasil e Folha de S.Paulo
CNTS

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